31 de julho de 2025
geologia

Serviço Geológico do Brasil descobre alta concentração de terras raras entre SP, PR e SC

Essas substâncias formam um grupo de 17 elementos químicos altamente estratégicos para a indústria de alta tecnologia, sendo fundamentais na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa

Por Redação
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Essas substâncias formam um grupo de 17 elementos químicos altamente estratégicos para a indústria de alta tecnologia, sendo fundamentais na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos e outros - Foto: Divulgação/SGB

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou concentrações relevantes de elementos terras raras na região do Cinturão Ribeira, uma importante faixa geológica que se estende pelos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Conhecidas como terras raras, essas substâncias formam um grupo de 17 elementos químicos altamente estratégicos para a indústria de alta tecnologia, sendo fundamentais na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar de serem relativamente abundantes na natureza, esses elementos costumam estar associados a outros minerais, o que torna o processo de extração complexo e de elevado valor econômico.

Os resultados obtidos fazem parte da etapa inicial de um projeto de pesquisa que seguirá em desenvolvimento ao longo deste ano e de 2027, prevendo novas idas a campo e o aprofundamento das análises laboratoriais. De acordo com o SGB, algumas das amostras coletadas registraram teores superiores a 8 mil partes por milhão (ppm) de TREE, que representa a somatória de todos os elementos terras raras. Na prática, esse índice significa que, para cada um milhão de partes da amostra analisada, 8 mil correspondem a esses minerais valiosos. O patamar é considerado elevado para esse tipo de ocorrência geológica e acena para um enriquecimento mineral expressivo na região, que já é conhecida pela presença de minerais associados a terras raras tanto em complexos alcalino-carbonatíticos quanto em rochas graníticas.

O trabalho inicial envolveu intensas atividades de campo, com a coleta de amostras de solo e rocha, além do reprocessamento e da interpretação de dados geofísicos e geoquímicos. Os mapeamentos ocorreram em municípios paulistas como Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia; nas cidades paranaenses de Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul; e em Joinville e Garuva, em Santa Catarina. Todas as áreas foram selecionadas estrategicamente a partir do Mapa de Potencial de Elementos Terras Raras, elaborado pela própria instituição.

A coordenadora do Projeto Terras Raras do SGB, Lucy Takehara, pondera que a identificação positiva desses elementos ainda não significa a existência de uma jazida pronta para exploração comercial. Segundo a pesquisadora, a primeira fase funcionou como um estudo regional e a próxima etapa será concentrada justamente nos locais que apresentaram os resultados mais expressivos. Nessas áreas de teores mais robustos, as equipes realizarão um detalhamento com amostragens mais sistemáticas para confirmar os índices anômalos. Novas expedições de campo estão programadas para os próximos meses e devem incluir outros municípios paulistas, como Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra, com o objetivo de ampliar o conhecimento geológico e subsidiar mapas de favorabilidade mineral em escalas ainda mais detalhadas.