Sete médicos são indiciados após morte de adolescente diagnosticada com gastroenterite
Jovem morreu por choque séptico depois de passar cinco vezes por hospital sem diagnóstico imediato de apendicite, aponta investigação
Publicado em
A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou sete médicos por homicídio culposo pela morte de uma adolescente ocorrida em novembro de 2025, em um hospital de Itaúna, no Centro-Oeste mineiro.
Segundo a investigação, a jovem procurou atendimento pela primeira vez no dia 20 de novembro com fortes dores abdominais. Na ocasião, ela recebeu diagnóstico de gastroenterite viral e foi liberada sem realizar exames complementares.
Nos dias seguintes, a adolescente retornou outras quatro vezes à unidade de saúde, sendo atendida por profissionais diferentes. Mesmo com a piora dos sintomas, o diagnóstico inicial foi mantido durante os atendimentos, de acordo com a Polícia Civil.
As apurações apontam que não houve aprofundamento clínico adequado até o dia 23 de novembro, quando exames laboratoriais e uma tomografia identificaram um quadro de apendicite aguda.
A cirurgia foi realizada na madrugada do dia 24, mas, segundo o inquérito, a paciente já apresentava perfuração do apêndice e peritonite. Ela morreu no dia seguinte em decorrência de choque séptico.
Durante a investigação, a Polícia Civil reuniu prontuários médicos, documentos técnicos e depoimentos que indicaram possíveis falhas sucessivas na condução do atendimento prestado à adolescente.
Entre os problemas apontados estão a ausência de exames nos primeiros atendimentos e a demora na adoção de medidas consideradas necessárias diante da evolução do quadro clínico.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise das medidas legais cabíveis.