31 de julho de 2025
MUNDO

Rússia realiza mega exercício nuclear e amplia tensão global durante viagem de Putin à China

Manobras militares mobilizam 64 mil soldados, submarinos e mísseis estratégicos em meio à guerra na Ucrânia e encontro com Xi Jinping

Por Redação
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O presidente russo Vladimir Putin participa de uma cerimônia para depositar flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, junto ao muro do Kremlin, no centro de Moscou, Rússia, em 9 de maio de 2026. - Foto: ALEXANDER NEMENOV/Pool via REUTERS – TPX IMAGES OF THE DAY.

A Rússia iniciou um amplo exercício militar voltado ao treinamento e preparação de suas forças nucleares em um momento de forte tensão geopolítica e de continuidade da guerra na Ucrânia. As manobras acontecem enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, viaja a Pequim para uma reunião estratégica com o presidente da China, Xi Jinping, ampliando a atenção internacional sobre os movimentos de Moscou.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, os exercícios terão duração de três dias e envolvem uma grande mobilização militar. Ao todo, mais de 64 mil soldados participam da operação, além de 200 lançadores de mísseis, 140 aeronaves, 73 navios de superfície e 13 submarinos. Também integram a ação as Forças de Mísseis Estratégicos, as frotas do Norte e do Pacífico e o Comando de Aviação de Longo Alcance do país.

O governo russo não detalhou quantos lançamentos de mísseis estão previstos durante os exercícios, mas especialistas avaliam que a operação funciona como uma demonstração de força militar e um recado estratégico às potências ocidentais em meio ao prolongamento da guerra no território ucraniano.

Para Dmitry Stefanovich, pesquisador do Centro de Segurança Internacional do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais, em Moscou, o objetivo das manobras é reforçar o papel da dissuasão nuclear russa. Segundo ele, a ação busca lembrar ao mundo que um confronto militar direto com uma potência nuclear teria consequências imprevisíveis.

“O objetivo é o sinal estratégico: lembrar que um confronto militar direto com uma potência nuclear não pode ser vencido”, afirmou o pesquisador.

O exercício ocorre em um contexto de fortalecimento da presença militar russa em Belarus, país aliado de Moscou que faz fronteira com três integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em 2023, a Rússia enviou armas nucleares táticas ao território bielorrusso e, em 2025, implantou o míssil de longo alcance Oreshnik no país.

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, é um dos principais aliados de Putin e autorizou o uso do território bielorrusso como base de apoio para a invasão russa em larga escala da Ucrânia, iniciada em 2022.

A movimentação militar também coincide com um importante momento diplomático. Vladimir Putin deve se reunir com Xi Jinping nesta quarta-feira, poucos dias após o líder chinês ter se encontrado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro entre os líderes russo e chinês é acompanhado de perto pela comunidade internacional, especialmente pelo impacto que pode ter no equilíbrio político e econômico global.

Nos últimos anos, Moscou intensificou demonstrações públicas de sua capacidade militar. Em 2024, a Rússia promoveu exercícios nucleares poucos dias antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, incluindo o lançamento de mísseis balísticos intercontinentais e testes voltados ao aperfeiçoamento da capacidade de romper sistemas avançados de defesa aérea.

Na semana passada, Putin também anunciou que a Rússia pretende colocar em operação até o fim deste ano o míssil balístico intercontinental Sarmat, uma arma com capacidade nuclear considerada uma das mais potentes do arsenal russo. Segundo Moscou, o equipamento foi projetado para transportar múltiplas ogivas nucleares e superar sistemas modernos de defesa antimísseis.