31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Serial killer de Maceió é condenado a mais 29 anos por matar jovem após obsessão pela companheira da vítima

Albino Santos de Lima foi condenado em oitavo júri popular; penas do réu já ultrapassam 200 anos de prisão

Por Redação
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Albino Santos de Lima durante o julgamento desta sexta-feira (15) - Foto: Anderson Macena/Ascom MPAL

O Albino Santos de Lima, apontado pelas investigações como o maior assassino em série da história recente de Alagoas, foi condenado nesta sexta-feira (15) a 29 anos e um dia de prisão em regime fechado pelo assassinato de Joseildo Siqueira Silva Filho, de 24 anos, conhecido como “Pikeno”, morto a tiros em janeiro de 2024, no bairro da Ponta Grossa, em Maceió.

A condenação foi definida pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, que reconheceu que o homicídio foi cometido por motivo torpe, após Albino não ter tido reciprocidade ao demonstrar interesse pela companheira da vítima, que tinha cerca de 15 anos à época dos fatos.

O julgamento ocorreu no Fórum Jairon Maia Fernandes, no bairro do Barro Duro, e foi conduzido pelo juiz Yulli Roter Maia, da 8ª Vara Criminal da Capital. A Justiça determinou o cumprimento imediato da pena.

Com a nova condenação, as penas impostas ao serial killer já ultrapassam 200 anos de reclusão.

Crime foi motivado por obsessão, sustenta Ministério Público

Segundo denúncia do Ministério Público de Alagoas, Albino teria desenvolvido uma obsessão pela companheira de Joseildo, uma adolescente que possuía características físicas semelhantes às de outras jovens monitoradas pelo réu.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, Joseildo caminhava pela Rua Messias de Gusmão acompanhado de um amigo quando foi surpreendido e atingido por vários disparos de arma de fogo, sem qualquer chance de defesa.

A acusação sustentou que o assassinato foi motivado pela frustração do réu após não conseguir se aproximar da jovem. “Ele demonstra comportamento misógino e perseguidor contra as mulheres. Como não podia ter a jovem, matava ela ou algum familiar para atingi-la”, afirmou o promotor Thiago Riff durante o júri.

Segundo o Ministério Público, provas extraídas do celular de Albino revelaram capturas de tela do perfil da companheira da vítima, feitas inclusive após o assassinato.

A investigação também apontou que o réu mantinha uma espécie de “portfólio” dos crimes, armazenando fotos e reportagens sobre os homicídios que cometia.

Réu mudou versão e confessou assassinato no plenário

O oitavo julgamento de Albino também foi marcado por uma nova mudança na versão apresentada pelo acusado.

Inicialmente, durante o inquérito policial, o réu negou participação no crime. Em outro momento, alegou que o assassinato teria sido cometido pelo “Arcanjo Miguel”, justificativa já utilizada por ele em outros casos investigados.

No entanto, durante o julgamento desta sexta, Albino confessou ter matado Joseildo, mas apresentou uma nova narrativa: afirmou que agiu por vingança, alegando ter sido assaltado pela vítima meses antes.

Segundo ele, teria decidido “fazer justiça com as próprias mãos” utilizando a arma do pai.

Ao ser questionado pela acusação, porém, admitiu que nunca registrou boletim de ocorrência sobre o suposto roubo.

O Ministério Público rebateu a versão e classificou a justificativa como tentativa de legitimar o crime.

Quem era “Pikeno”

Conhecido nas redes sociais como “Pikeno”, Joseildo trabalhava descarregando caminhões de legumes e verduras e fazia transporte de mercadorias no mercado.

Segundo familiares, sua grande paixão era produzir conteúdo para internet, gravando vídeos de humor e dança.

O jovem também sonhava em seguir carreira artística e tinha como principal inspiração o rapper alagoano Alex NSC.

Durante o julgamento, o pai e a madrasta da vítima prestaram depoimentos emocionados e negaram qualquer envolvimento do jovem com atividades ilícitas. “Foi uma tragédia que até agora a gente está sofrendo”, desabafou o pai de Joseildo.

Uma testemunha que estava com a vítima no momento do crime relatou ao júri que ambos foram surpreendidos no escuro e não tiveram qualquer chance de reação.