31 de julho de 2025
XENOFOBIA

“Não é realidade para uma criança de 6 anos”, diz Joanna Maranhão após filho sofrer xenofobia na Alemanha

Ex-nadadora olímpica revelou que o filho chegou da escola com medo de ser separado dos pais após ameaça de colega

Por Redação
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Joana Maranhão com o filho e o marido. - Foto: Arquivo Pessoal

A ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão revelou ter vivido um episódio doloroso de xenofobia envolvendo o filho, Caetano, de apenas seis anos, na Alemanha, onde mora com a família há cerca de três anos e meio.

Segundo Joanna, o menino chegou em casa assustado após um colega de escola afirmar que chamaria a polícia para mandar seus pais “de volta para o país deles”, provocando medo de separação familiar.

Atualmente vivendo em Potsdam, no leste da Alemanha, Joanna mora com o marido, o ex-judoca Luciano Corrêa, e o filho. O relato foi feito em entrevista à BBC News Brasil.

O episódio aconteceu após Caetano, aluno do primeiro ano da escola primária, contar à mãe que havia sido alvo de um comentário xenofóbico feito por um colega.

Segundo Joanna, a criança disse que o menino ameaçou chamar a polícia para deportar seus pais.

“Ele me contou que um colega da escola tinha chegado para ele e dito que iria chamar a polícia para mandar o pai e a mãe dele de volta para o país deles”, relatou.

A ex-atleta explicou que o filho ficou profundamente abalado porque imaginou um cenário em que seria separado dos pais.

“Ele não tem noção de imigração, fronteira e política. Não é para ser uma realidade na vida de uma criança de 6 anos”, desabafou.

Joanna afirmou que precisou tranquilizar o menino, explicando que a família possui toda a documentação necessária para morar legalmente no país.

“Ele perguntou: ‘Mas a polícia pode vir?’. E eu respondi: ‘Alguém pode chamar a polícia, mas ela vai chegar e não vai acontecer nada’”, contou.

Segundo Joanna Maranhão, a situação não envolveu apenas xenofobia, mas também racismo.

Ela explicou que o filho não se encaixa no padrão físico predominante no país europeu, já que o marido é negro e ela se considera uma mulher parda.

“O Caetano não se parece fisicamente com a média do alemão”, afirmou.

De acordo com a ex-nadadora, a professora da turma teria informado que o pai do aluno envolvido no caso demonstra postura anti-imigração e seria apoiador da Alternativa para a Alemanha, partido classificado como de extrema direita pelas autoridades alemãs.

Após tomar conhecimento do episódio, Joanna procurou a escola, que prometeu abordar o tema em sala de aula e implementar políticas mais rígidas de combate ao racismo e à xenofobia.

Mesmo abalada, a ex-atleta contou que o filho retornou à escola levando bolinhos preparados com a mãe para compartilhar com os colegas, inclusive com o menino envolvido na ofensa.

Para Joanna, a escola é um ambiente essencial para combater preconceitos aprendidos dentro de casa.

“A escola é o ambiente que pode salvar e resgatar essa criança de não se tornar um pequeno nazista”, afirmou.

Apesar da resposta da instituição, ela admite preocupação com futuras interações entre as crianças.

“Eles vão estar se vendo todos os dias. Será que vai acontecer de novo?”, questionou.

A ex-nadadora afirmou que esta não foi a primeira experiência de preconceito vivida pela família.

Quando moravam na Bélgica, Luciano Corrêa chegou a ser acusado injustamente de ter roubado um carrinho infantil, episódio que Joanna atribui ao racismo.

Segundo ela, situações semelhantes também ocorreram na Alemanha, algumas inclusive na frente do filho.

Apesar disso, Joanna disse não acreditar que esses episódios representem toda a população alemã.

“Eu me recuso a acreditar que isso define o povo alemão”, afirmou.

Joanna Maranhão representou o Brasil em quatro edições dos Jogos Olímpicos e, após a carreira esportiva, tornou-se uma das principais vozes no combate à violência sexual no esporte e na defesa dos direitos humanos.