31 de julho de 2025
Operação Sem Refino

Cláudio Castro é alvo da PF em investigação sobre esquema bilionário no RJ

Investigação aponta suposto favorecimento à Refit Refinaria e apura ocultação patrimonial, fraudes fiscais e evasão de recursos

Por RAYANY FRANÇA
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Claúdio Castro - Foto: Philippe Lima/Governo do Rio de Janeiro

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi alvo da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (15/5). A ação investiga um suposto esquema bilionário envolvendo empresas do setor de combustíveis, ocultação patrimonial, evasão de divisas e fraudes fiscais.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e cumpre 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Além das buscas, a Justiça determinou sete afastamentos de funções públicas, bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

Segundo a Polícia Federal, Cláudio Castro teria permitido um cenário favorável para “atividades espúrias” relacionadas à Refit Refinaria, empresa ligada ao empresário Ricardo Magro. Em decisão divulgada pelo STF, os investigadores afirmam que o então governador teria direcionado esforços da máquina pública estadual em benefício do conglomerado empresarial.

A PF também aponta que Castro participou de uma viagem para Nova York patrocinada pela Refit. Durante a agenda internacional, o ex-governador se reuniu com Ricardo Magro, secretários estaduais e autoridades da DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas. Segundo a investigação, os encontros tinham como pauta a classificação de facções criminosas do Rio como organizações narcoterroristas.

No entanto, a Polícia Federal afirma que, paralelamente às agendas de segurança pública, Castro mantinha relações com representantes do grupo investigado por suposta dilapidação do erário fluminense. A corporação cita ainda a participação de diferentes órgãos estaduais no suposto favorecimento ao conglomerado, incluindo a Secretaria de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente e a Polícia Civil.

Além de Cláudio Castro, também são alvos da Operação Sem Refino o empresário Ricardo Magro, que teve prisão preventiva decretada e foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, o desembargador Guaraci de Campos Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do Estado Renan Saad.

As investigações ocorrem no âmbito da chamada ADPF das Favelas e contam com apoio técnico da Receita Federal. A PF apura possíveis fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e inconsistências ligadas às operações da refinaria vinculada ao grupo empresarial.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro afirmou que foi surpreendida com a operação e declarou que o ex-governador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Os advogados sustentam que todos os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente.