Adolescentes relatam ataque durante julgamento da morte de Ana Clara em Maravilha
Réus começaram a ser julgados nesta quinta-feira (14); sobreviventes do ataque prestaram depoimento no Fórum da Comarca de Maravilha
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O julgamento dos réus acusados pela morte da adolescente Ana Clara Firmino da Silva começou na manhã desta quinta-feira (14), no Fórum da Comarca de Maravilha, no Sertão de Alagoas. Os primeiros depoimentos ouvidos pelo Tribunal do Júri foram dos adolescentes que estavam com a vítima na noite do crime, ocorrido em 2 de janeiro de 2025.
O júri é conduzido pelo juiz Jader de Medeiros Neto. São réus no processo Ailton Soares Silva, conhecido como Lailton, José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos.
Durante depoimento ao Ministério Público de Alagoas (MPAL), um dos adolescentes sobreviventes relatou que o grupo estava em um local afastado da festa de emancipação política da cidade quando foi surpreendido por um carro.
“Estávamos no local, o carro chegou de repente, parou de vez. Aí desceu um homem da parte da frente, com a camisa no rosto, e já saiu e deu uma facada em mim”, afirmou o jovem em plenário.
Segundo o relato, após ser atingido, ele correu do local e não conseguiu mais ver o que aconteceu com Ana Clara. O adolescente contou ainda que foi socorrido e levado para Santana do Ipanema.
O jovem também afirmou que o grupo havia conhecido duas meninas durante a festa e decidiu ir para um local mais reservado para conversar. Poucos minutos depois, o carro dos suspeitos apareceu. De acordo com ele, os ocupantes simulavam um assalto, mas nenhum pertence das vítimas foi levado.
“O assalto era o álibi”, destacou o promotor durante o julgamento, sustentando a tese de que a abordagem teria sido premeditada.
Ainda em depoimento, o adolescente disse ter ouvido de amigas da vítima que um dos acusados teria interesse em Ana Clara, mas não era correspondido.
Outro adolescente ouvido no julgamento confirmou que os ocupantes do carro desceram ameaçando o grupo. Segundo ele, um dos suspeitos atacou o amigo que acabou esfaqueado, enquanto outro correu em sua direção.
“Aí eu e a menina saímos correndo e, quando chegamos perto da creche, vimos a Ana Clara no chão”, declarou.
O jovem também relatou que a primeira porta do carro aberta foi a do passageiro e que, logo em seguida, o motorista foi em sua direção. Questionado pela defesa se poderia identificar se a pessoa era homem ou mulher, respondeu: “Com certeza era um homem”.
Policiais militares que participaram das investigações também foram ouvidos durante a sessão. Um dos sargentos afirmou que os suspeitos foram localizados após informações repassadas pela inteligência policial e por equipes de Santana do Ipanema.
Segundo o militar, o casal inicialmente apontou Ailton Soares Silva como autor das facadas. Já o acusado teria atribuído a responsabilidade ao casal após ser preso.
A polícia informou ainda que uma bainha compatível com a faca usada no crime foi encontrada na casa dos pais do réu apontado como executor dos golpes.
Durante a tarde, a madrinha de Ana Clara Firmino da Silva também prestou depoimento emocionado. Aos prantos, ela afirmou que a adolescente era “uma menina dócil, carinhosa e divertida” e negou rumores envolvendo o comportamento da vítima.
“Arrancaram um pedaço da gente”, disse a testemunha.
O Ministério Público pede a condenação dos três réus por feminicídio. Também solicita a condenação por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra o adolescente que sobreviveu ao ataque.
O caso teve grande repercussão em Alagoas após Ana Clara Firmino da Silva ser encontrada morta com uma faca cravada nas costas, na noite de 2 de janeiro de 2025, em Maravilha. Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por ciúmes.
Até o início da tarde, ainda faltavam cerca de 10 testemunhas serem ouvidas no julgamento. A defesa atua com cinco advogados, sendo três diretamente no plenário e dois na assistência técnica.
O julgamento segue sem previsão de encerramento.
