31 de julho de 2025
ECONOMIA

Desemprego em Alagoas sobe para 9,2% no 1º trimestre de 2026 e estado tem uma das maiores taxas do país

Estado registra cerca de 121 mil pessoas desocupadas; informalidade atinge mais de 500 mil trabalhadores, aponta IBGE

Por Redação
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Alagoas registra taxa de desocupação de 9,2% no primeiro trimestre de 2026 - Foto: Jonathan Lins/Secom Maceió

A taxa de desocupação em Alagoas subiu para 9,2% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua Trimestral). O percentual representa aproximadamente 121 mil pessoas sem emprego no estado entre os meses de janeiro, fevereiro e março.

O resultado mostra um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa havia sido de 8,0%. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, quando Alagoas registrou 9,0%, o índice permaneceu estatisticamente estável.

Mesmo sem avanço significativo no comparativo anual, Alagoas segue entre os estados com maiores taxas de desemprego do Brasil, ocupando a segunda pior colocação, ao lado de Pernambuco e Bahia, ambos com 9,2%. O Amapá lidera o ranking nacional, com 10,0% de desocupação.

No cenário nacional, a taxa de desemprego ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026. Segundo o IBGE, houve aumento da desocupação em 15 das 27 unidades da federação, enquanto os demais estados apresentaram estabilidade.

Fim de contratos temporários influencia aumento do desemprego

De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, o aumento da desocupação no início do ano segue um comportamento histórico do mercado de trabalho brasileiro, impulsionado principalmente pelo encerramento de contratos temporários.

“Historicamente, há dispensa de trabalhadores temporários após o período de maior movimento no comércio e também pela dinâmica de encerramento de contratos temporários em setores como educação e saúde no serviço público municipal”, explicou o especialista.

Apesar disso, ele destacou que parte dos estados conseguiu absorver parte dessa mão de obra temporária, o que ajudou a conter aumentos ainda maiores.

Subutilização da mão de obra cresce e atinge quase 390 mil pessoas

Outro dado que chama atenção é a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que engloba pessoas desempregadas, subocupadas por poucas horas e aquelas disponíveis para trabalhar, mas fora do mercado.

Em Alagoas, esse indicador subiu de 25,1% para 26,1%, alcançando aproximadamente 390 mil pessoas no primeiro trimestre deste ano.

O estado registrou a terceira maior taxa de subutilização do país, ficando atrás apenas do Piauí (30,4%) e da Bahia (26,3%).

Mais de meio milhão de trabalhadores estão na informalidade

A pesquisa também apontou que cerca de 506 mil trabalhadores atuam na informalidade em Alagoas, sem vínculo formal de trabalho ou garantias trabalhistas.

Entre os ocupados, aproximadamente 361 mil pessoas possuem carteira assinada no setor privado, enquanto o nível geral de ocupação ficou em 46,5%, sem variação relevante em relação ao mesmo período do ano passado.

Na comparação com o trimestre anterior, porém, houve uma queda de 1,5 ponto percentual na ocupação, reflexo principalmente da redução de vagas em setores como alojamento e alimentação.

Já segmentos como construção civil e indústria permaneceram estáveis no período.

Renda média permanece estável

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ocupados em Alagoas foi de R$ 2.536, sem mudanças estatisticamente significativas em relação ao trimestre anterior ou ao mesmo período de 2025.

A PNAD Contínua é considerada o principal instrumento do IBGE para monitorar o mercado de trabalho no país. A pesquisa entrevista cerca de 211 mil domicílios em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com visitas trimestrais realizadas por aproximadamente 2 mil entrevistadores.

A próxima divulgação dos dados da pesquisa, referente ao trimestre encerrado em junho, está prevista para 14 de agosto.