Mesmo com alta nas exportações, Alagoas mantém déficit de R$ 64 milhões na balança comercial
Estado importou mais do que exportou em abril de 2026; dependência do açúcar e avanço das compras externas pressionam resultado
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Apesar do crescimento nas exportações, Alagoas voltou a registrar saldo negativo na balança comercial e manteve um cenário de forte dependência econômica de poucos setores produtivos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o estado encerrou abril de 2026 com déficit de aproximadamente R$ 64 milhões, após importar mais do que exportou no período. O cálculo considera a cotação do dólar em R$ 4,92.
Segundo o levantamento, Alagoas exportou US$ 78,8 milhões, o equivalente a cerca de R$ 387,7 milhões, volume 40,3% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. No entanto, o crescimento das importações manteve o estado no vermelho: as compras internacionais chegaram a US$ 91,8 milhões, aproximadamente R$ 451,7 milhões, ampliando a diferença entre entrada e saída de recursos no comércio exterior.
O saldo final da balança comercial ficou negativo em US$ 13 milhões, o que representa cerca de R$ 64 milhões em déficit para a economia estadual.
Açúcar concentra exportações e aumenta dependência econômica
A maior parte das exportações de Alagoas segue concentrada no setor sucroenergético. Os açúcares e melaços responderam por 60,5% de tudo o que o estado vendeu ao exterior, reforçando uma dependência histórica de um único segmento econômico.
Embora o setor continue impulsionando receitas internacionais, a concentração em poucos produtos deixa a economia estadual mais vulnerável a oscilações nos preços globais, crises de mercado e impactos climáticos.
Outro item relevante foi o grupo de minérios de cobre e seus concentrados, responsável por 37,3% das exportações alagoanas, o que evidencia uma pauta baseada majoritariamente em commodities e produtos com menor valor agregado.
Estado compra mais do que vende ao exterior
Enquanto exporta poucos produtos, Alagoas mantém alta dependência de itens importados para sustentar parte da atividade produtiva local.
As compras internacionais somaram cerca de R$ 451,7 milhões, puxadas principalmente por fertilizantes químicos, insumos industriais e produtos utilizados no agronegócio e na indústria, demonstrando a dependência externa inclusive para manter o principal motor da economia estadual.
A China liderou como principal parceiro comercial do estado, concentrando 37,3% das negociações internacionais de Alagoas, seguida por Estados Unidos, Argélia, Gâmbia e Geórgia.
Além do déficit comercial, Alagoas segue com participação reduzida no cenário nacional, ocupando apenas a 20ª posição entre os estados exportadores e a 18ª colocação em importações, com fatia inferior a 0,5% do comércio exterior brasileiro.
Os números reforçam o desafio da economia alagoana em ampliar sua diversificação produtiva e reduzir a dependência de poucos setores exportadores e de insumos vindos do exterior.