Operação dos MPs de AL, BA e PE combate tráfico de animais silvestres e apreende mais de 370 aves
Ação interestadual cumpriu mandados na Bahia e em Pernambuco; duas pessoas foram presas em flagrante e Alagoas aparece como rota do esquema
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Uma operação conjunta dos Ministérios Públicos de Alagoas, Bahia e Pernambuco foi deflagrada nesta terça-feira (12) para desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico de animais silvestres. Batizada de “Ninho de Falcão”, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, e Medeiros Neto, no sul da Bahia.
A investigação busca reunir provas contra suspeitos apontados como fornecedor e receptador de grandes quantidades de aves silvestres comercializadas ilegalmente. Durante a operação, 373 pássaros silvestres foram apreendidos na Bahia, entre espécies como canário-da-terra, papa-capim, cardeal, azulão, trinca-ferro, periquito e corrupião.
Além das apreensões, duas pessoas foram presas em flagrante, suspeitas de participação no esquema criminoso, no momento em que se preparavam para transportar os animais.
A ofensiva foi coordenada pelos Grupos de Atuação Especial no Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) dos Ministérios Públicos de Alagoas, Pernambuco e Bahia, além de órgãos ambientais e setores de inteligência das instituições envolvidas
Investigação começou após prisão em Alagoas
Segundo os investigadores, a apuração teve início há mais de um ano, após a prisão de um traficante de aves silvestres em Alagoas. A partir disso, foi identificado um suposto esquema interestadual de captura, transporte e comercialização ilegal de animais retirados da natureza.
De acordo com o Ministério Público, o investigado localizado na Bahia seria responsável pela captura de milhares de aves silvestres, contando com auxílio de outras pessoas da rede criminosa. Os animais seriam enviados para um receptador em Jaboatão dos Guararapes, mediante pagamentos financeiros.
A investigação aponta ainda que os suspeitos atuavam com divisão de funções para ampliar os lucros e fortalecer o comércio clandestino de fauna silvestre.
Segundo o promotor de Justiça Kléber Valadares, Alagoas aparece tanto como rota quanto como destino desse tipo de crime ambiental.
“Além da crueldade à qual essas aves são submetidas, retirar animais de seu ambiente natural provoca desequilíbrios ecossistêmicos”, destacou o representante do Ministério Público de Alagoas.
Ainda conforme o MPAL, as investigações relacionadas ao caso no estado tramitam perante a 17ª Vara Criminal.
Operação segue diretrizes nacionais de combate ao tráfico animal
A operação “Ninho de Falcão” foi estruturada com base no Manual de Combate ao Tráfico de Animais da Fauna Silvestre Brasileira, elaborado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com apoio da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa).
Participaram da ação o Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do MPAL, o Centro Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MP da Bahia, além de forças policiais ambientais e unidades da Polícia Militar nos estados envolvidos.