Deputado é alvo de operação da PF por suspeita de fraude em contratos da Seapa no RJ
Polícia Federal apreendeu celular do parlamentar no Aeroporto Santos Dumont; investigação apura suposto superfaturamento em contratos de castração de animais avaliados em R$ 200 milhões
Publicado em
O deputado federal Marcelo Queiroz tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de fraude em contratos ligados à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro (Seapa). Na manhã desta terça-feira (12), agentes federais apreenderam o celular do parlamentar no Aeroporto Santos Dumont, quando ele se preparava para embarcar para Brasília.
A investigação apura possíveis irregularidades em contratos de castração e esterilização de animais firmados durante o período em que Marcelo Queiroz esteve à frente da secretaria estadual. Segundo a Polícia Federal, há indícios de direcionamento de contratos, superfaturamento e fraude em processos licitatórios envolvendo empresas responsáveis pela prestação dos serviços.
Investigação mira período em que deputado comandou secretaria
Marcelo Queiroz comandou a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022, durante as gestões dos ex-governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro. Os investigadores buscam identificar se as supostas irregularidades ocorreram enquanto o atual deputado ocupava o cargo.
De acordo com a PF, a apuração não envolve emendas parlamentares, mas contratos administrativos celebrados pela pasta estadual. Como Marcelo Queiroz possui foro privilegiado por exercer mandato na Câmara dos Deputados, o caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
No ano passado, o parlamentar chegou a ser nomeado pela Prefeitura do Rio para assumir a Secretaria Municipal de Administração. Antes disso, também ocupou funções na política municipal e estadual do Rio de Janeiro.
Contratos sob investigação chegam a R$ 200 milhões
Segundo a investigação, os contratos analisados pela Polícia Federal somam cerca de R$ 200 milhões e envolvem serviços de castração e esterilização de animais. A suspeita é de que tenha havido favorecimento de empresas, irregularidades em licitações e pagamentos acima dos valores de mercado.
Além da apreensão do celular do deputado, a operação também cumpre mandados autorizados pelo STF em cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, incluindo Itaocara, Macaé, Niterói, a capital fluminense, além dos municípios paulistas de São Roque e Mairinque.
Até o momento, Marcelo Queiroz não havia se manifestado publicamente sobre a operação. A investigação segue em andamento, e os citados poderão apresentar defesa no decorrer do processo.