PGR quer condenação de Eduardo Bolsonaro por coação contra ministros do STF
Procuradoria afirma que deputado licenciado articulou pressões internacionais contra integrantes da Corte para tentar interferir em processos ligados à trama golpista
Publicado em
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. A manifestação foi enviada nesta segunda-feira (11) ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.
Nas alegações finais, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta que Eduardo Bolsonaro atuou de forma “continuada” para constranger ministros do STF e interferir no andamento de investigações e processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Segundo a PGR, o parlamentar teria articulado, nos Estados Unidos, ações de pressão internacional contra integrantes da Suprema Corte, incluindo sanções econômicas e diplomáticas, com o objetivo de favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“As condutas criminosas estruturaram-se em torno da ameaça de obtenção de sanções estrangeiras, significativamente graves, tanto para os ministros do Supremo Tribunal Federal como para o Brasil”, afirmou Gonet na manifestação enviada ao STF.
O procurador também afirmou que parte dessas medidas teria sido efetivamente aplicada após a mobilização de agentes norte-americanos com influência política.
A denúncia contra Eduardo Bolsonaro foi aceita pela Primeira Turma do STF em novembro do ano passado. Votaram pelo recebimento da acusação os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Em fevereiro deste ano, o Supremo formalizou a abertura da ação penal.
O caso integra um dos desdobramentos do inquérito da Polícia Federal que investigou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Embora Jair Bolsonaro tenha sido indiciado no mesmo procedimento, ele não foi denunciado pela PGR nesse processo específico.
O ex-presidente, no entanto, já foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista.