Ricardo Salles ataca Eduardo Bolsonaro e diz que deputado foi aos EUA “falar um monte de merda”
Pré-candidato ao Senado por São Paulo, ex-ministro intensifica disputa na direita após apoio de Tarcísio a André do Prado
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A disputa por espaço na direita paulista ganhou um novo capítulo após o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) fazer duras críticas ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em participação no podcast Iron Talks, na sexta-feira (8), Salles afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi aos Estados Unidos “falar um monte de merda” e acusou o parlamentar de ter atuado contra interesses do Brasil.
Pré-candidato ao Senado por São Paulo, Salles demonstrou irritação ao comentar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, para onde o deputado se mudou após deixar o país.
“Você se mandou para os Estados Unidos porque você quis. Você só inviabilizou o seu retorno para o Brasil depois que você já estava lá nos Estados Unidos falando um monte de merda, inclusive trabalhando contra o Brasil nessa história de tarifaço. O que eu passei como ministro você não passou nem de longe”, declarou Salles durante a entrevista.
A declaração acontece em meio ao acirramento da disputa interna no campo conservador por vagas ao Senado em São Paulo. Eduardo Bolsonaro era cotado como um dos nomes do grupo bolsonarista para a disputa, mas o cenário mudou após sua ida aos EUA.
Nos bastidores, a tensão aumentou depois que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL-SP), passou a ser tratado como pré-candidato ao Senado pelo PL. A articulação ocorreu após uma visita de Prado a Eduardo Bolsonaro no Texas, acompanhada do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Na última semana, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou apoio à candidatura de André do Prado ao Senado. O grupo governista também trabalha com a pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo.
Com isso, o campo da direita paulista caminha para uma disputa interna envolvendo nomes ligados ao bolsonarismo e ao governo Tarcísio, enquanto o bloco de centro-esquerda deve ter candidaturas associadas ao ex-prefeito paulistano Fernando Haddad.
Durante o podcast, Ricardo Salles também rebateu críticas de aliados da direita que o acusam de fragmentar o eleitorado conservador. O deputado negou qualquer aproximação com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou ter enfrentado consequências mais severas do que Eduardo Bolsonaro após deixar o Ministério do Meio Ambiente.
“O seu papai mandou dinheiro para você ficar nos Estados Unidos, eu não tive essas coisas. A minha família foi acordada com a Polícia Federal na porta. Eu tive a minha casa, meu escritório invadido pela Polícia Federal, eu tive o meu passaporte apreendido antes de eu ir para os Estados Unidos”, afirmou.
Salles também sinalizou que só abriria mão da disputa ao Senado caso o nome escolhido fosse o do vice-prefeito da capital paulista, Coronel Mello Araújo (PL-SP). Como o partido optou por André do Prado, o ex-ministro passou a intensificar críticas ao aliado do governador Tarcísio, utilizando apelidos como “Pupilo do Valdemar” e “Valdemarzinho”, em referência à proximidade de Prado com Valdemar Costa Neto.