31 de julho de 2025
SUL

Polícia aponta contradições e prende homem suspeito de mentir sobre acidente que matou esposa e filha no Paraná

Análise de câmeras e depoimentos levou polícia a concluir que marido dirigia carro que caiu no Rio Paraná; investigação apura possível ação proposital

Por Redação
Publicado em
Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska foram encontradas mortas dentro de um carro submerso no Rio Paraná. - Foto: Reprodução/Redes Sociais/PC-PR

A Polícia Civil do Paraná prendeu um homem suspeito de mentir sobre o acidente que terminou na morte da esposa e da filha de apenas três anos em Nova Londrina, no Noroeste do estado. A investigação ganhou novos rumos após a análise de 23 imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas apontarem contradições no relato apresentado por Márcio Talaska, de 38 anos, marido e pai das vítimas.

O caso aconteceu no dia 2 de maio, quando o carro da família caiu no Rio Paraná. Inicialmente tratado como acidente, o episódio passou a ser investigado sob outra perspectiva após a polícia identificar indícios de que o motorista do veículo seria Márcio — e não a esposa, como ele alegou em depoimento.

As vítimas foram Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e a filha do casal, Maria Laura Roman Talaska, de apenas três anos. Ambas morreram após o carro ficar submerso no rio. Márcio conseguiu escapar com vida.

Segundo a delegada Iasmin Gregorio, responsável pelo caso, testemunhas relataram que a família havia saído de uma confraternização e que foi Márcio quem conduziu o veículo durante todo o trajeto até a rampa de acesso ao rio.

Com base nas imagens de monitoramento, a Polícia Civil reconstituiu o percurso feito pelo automóvel e concluiu que não havia sinais de que o casal estivesse perdido, como sustentado pelo suspeito.

“Não havia uma postura ali do casal de perguntar onde seria a saída da cidade, não teria nenhuma evidência através das câmeras de monitoramento de que esse casal teria perguntado, pedido algum tipo de ajuda”, afirmou a delegada.

De acordo com a investigação, o trajeto percorrido até o local da queda durou cerca de oito minutos, de maneira linear, sem desvios ou sinais de confusão no caminho.

As gravações também registraram o momento em que o veículo acessa a rampa e entra no rio. Outro fator que chamou a atenção dos investigadores foi o comportamento de Márcio após o carro submergir.

Segundo a polícia, ele conseguiu sair do automóvel com facilidade e teria demorado aproximadamente um minuto e meio para pedir socorro, elemento que passou a integrar a linha investigativa.

“Com todos esses elementos, há indicativos de que o masculino teria cometido tal fato de forma proposital”, declarou a delegada.

Diante dos indícios reunidos, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Márcio Talaska, que foi detido na sexta-feira (8), em Nova Londrina. O inquérito, porém, ainda não foi concluído, e novos laudos periciais são aguardados para esclarecer definitivamente as circunstâncias do caso.

Tragédia abalou cidade

O acidente ocorreu por volta das 22h30 do dia 2 de maio. Equipes do Corpo de Bombeiros acessaram o carro durante a madrugada seguinte e retiraram mãe e filha já sem vida.

A mulher trabalhava no Hospital Municipal Santa Rita de Cássia, que publicou nota de pesar pela morte da servidora. A prefeitura de Nova Londrina também lamentou a morte da criança, aluna do Centro Municipal de Educação Infantil Arco-Íris.

Mãe e filha foram sepultadas no dia 4 de maio, no cemitério municipal da cidade.

Defesa contesta prisão

Em nota, a defesa de Márcio Talaska afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e criticou a decretação da prisão preventiva.

Os advogados alegam que o investigado está emocionalmente abalado pela perda da esposa e da filha e sustentam que a prisão cautelar deve ser fundamentada em elementos concretos, não podendo ser influenciada pela repercussão do caso.

A defesa informou ainda que pretende adotar medidas judiciais para tentar reverter a decisão e pedir a revogação da prisão preventiva.

Posicionamento da defesa

"A defesa de Márcio Talaska vem a público manifestar sua irresignação diante da decretação de sua prisão preventiva. Até o presente momento, a defesa não teve acesso integral à decisão judicial, tampouco aos elementos de prova que teriam fundamentado medida tão grave e excepcional. Por essa razão, qualquer análise mais aprofundada será realizada assim que a defesa tiver conhecimento completo dos fundamentos utilizados para justificar a segregação cautelar. É necessário registrar que Márcio encontra-se profundamente abalado, emocionalmente destruído pela tragédia que vitimou sua esposa e sua filha. Trata-se de um homem que, além de enfrentar uma perda irreparável, agora se vê privado de sua liberdade antes mesmo de ter acesso pleno aos elementos que sustentaram essa decisão. A defesa respeita as instituições, mas entende que a prisão preventiva, por sua natureza excepcional, deve estar sempre amparada em fundamentos concretos, atuais e devidamente demonstrados, não podendo servir como resposta automática à comoção pública ou à gravidade abstrata dos fatos. Diante disso, serão adotadas todas as medidas jurídicas cabíveis para impugnar a decisão e buscar a imediata revogação da prisão preventiva, com o restabelecimento da liberdade de Márcio. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário do Estado do Paraná, na serenidade da Justiça e na certeza de que, com acesso integral aos autos e ao contraditório, será possível demonstrar a arbitrariedade da medida e obter a restituição de sua liberdade."