Medo da violência muda rotina de 95 milhões de brasileiros, aponta pesquisa inédita
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 57% da população alterou hábitos por insegurança; medo de golpes virtuais lidera preocupações
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O medo da violência deixou de ser apenas uma preocupação pontual e passou a interferir diretamente na rotina de milhões de brasileiros. Uma pesquisa inédita do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), realizada pelo Instituto Datafolha, mostra que 57% dos brasileiros com 16 anos ou mais mudaram pelo menos um hábito nos últimos 12 meses por causa da insegurança. Na prática, o percentual representa cerca de 95 milhões de pessoas em todo o país.
O levantamento revela uma população cada vez mais adaptada ao medo, alterando comportamentos cotidianos para reduzir riscos. Entre as mudanças mais frequentes estão a alteração de trajetos habituais, a decisão de não sair à noite e até evitar carregar objetos de valor, como celulares e acessórios pessoais.
Segundo os dados, 36,5% dos entrevistados afirmaram mudar caminhos rotineiros para evitar situações de risco, enquanto 35,6% disseram ter deixado de sair à noite por medo da violência. O receio de assaltos também impacta diretamente a forma como as pessoas circulam pelas cidades: 33,5% dos brasileiros evitam sair com o celular, enquanto 26,8% retiram alianças, relógios e outros acessórios antes de ir às ruas.
O impacto da insegurança também afeta o consumo. De acordo com a pesquisa, 22,5% dos entrevistados deixaram de comprar algum bem por medo de roubo ou furto, indicando que a criminalidade já influencia decisões econômicas e hábitos de compra.
Mulheres sentem mais os impactos da insegurança
A pesquisa mostra ainda que as mulheres são as mais afetadas pelo medo da violência no Brasil. Os índices femininos superam os masculinos em praticamente todos os hábitos modificados.
Entre as entrevistadas, 40,9% afirmaram evitar sair à noite por medo, enquanto entre os homens o percentual foi de 29,8%, uma diferença de 11,1 pontos percentuais.
O mesmo padrão aparece em outros comportamentos. 37,8% das mulheres disseram evitar sair com o celular, contra 28,9% dos homens. Já na mudança de trajetos diários, os índices são de 37,6% entre mulheres e 35,3% entre homens. A retirada de acessórios pessoais antes de sair de casa também é mais frequente entre elas: 27,7% das mulheres adotam essa medida, contra 25,9% dos homens.
Os números indicam que o medo da violência tem um peso ainda maior sobre a população feminina, especialmente em deslocamentos e atividades cotidianas.
Golpes pela internet superam medo de assalto
O estudo também mostra uma mudança no perfil das preocupações da população brasileira. Apesar do temor histórico da violência urbana, o maior medo atualmente é cair em golpes virtuais.
Segundo o levantamento, 96,2% dos brasileiros afirmam ter medo de sofrer pelo menos um dos 13 tipos de crime e violência analisados pela pesquisa.
O principal temor é ser vítima de golpes pela internet ou celular, citado por 83,2% dos entrevistados. O dado acompanha uma realidade crescente: 15,8% dos brasileiros afirmaram ter perdido dinheiro em fraudes digitais nos últimos 12 meses.
Logo depois aparecem o medo de roubo à mão armada (82,3%) e o receio de morrer durante um assalto (80,7%). Em 11 das 13 situações investigadas, mais da metade da população declarou sentir medo.
A pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.