31 de julho de 2025
suspensão imediata

Alexandre de Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria um dia após promulgação

Ministro do STF barra efeitos da nova legislação que reduziria penas dos atos de 8 de janeiro; decisão cita necessidade de garantir segurança jurídica e aguarda análise de constitucionalidade

Por Redação
Publicado em
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), - Foto: Bruno Peres / Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (9/5) a suspensão imediata da aplicação da Lei da Dosimetria. A decisão ocorre apenas um dia após a legislação ter sido promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O magistrado atendeu a um contexto de urgência após a defesa de Nara Faustino de Menezes, condenada por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, solicitar a alteração de sua pena com base nas novas regras. Moraes argumentou que a aplicação da lei deve ser sobrestada até que o plenário da Corte julgue as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a validade da norma.

Em seu despacho, o ministro destacou que a existência de ações de controle concentrado de constitucionalidade configura um "fato processual novo e relevante". Para o relator, a suspensão é necessária por questões de segurança jurídica, evitando que decisões baseadas em uma lei possivelmente inconstitucional gerem efeitos irreversíveis antes de uma definição final do STF. A Lei da Dosimetria entrou em vigor na última sexta-feira (8/5), após o Congresso Nacional derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o chefe do Executivo não sancionou a medida no prazo constitucional de 48 horas, coube a Alcolumbre a responsabilidade pela promulgação.

A nova legislação é cercada de polêmicas por estabelecer critérios que resultariam na redução de penas para diversos condenados pelos eventos de 8 de janeiro, o que poderia beneficiar, inclusive, figuras políticas como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Diante do impacto da medida, diversos partidos e entidades, incluindo a federação PT/PCdoB/PV, o PSOL, a Rede Sustentabilidade e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), protocolaram ações no STF apontando vícios na lei. Os críticos argumentam que a mudança legislativa fere princípios fundamentais da Constituição Federal.

Como parte dos próximos desdobramentos, o ministro Alexandre de Moraes estabeleceu um prazo de cinco dias para que o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto se manifestem sobre o teor da matéria. Além do presidente Lula e do senador Davi Alcolumbre, o magistrado também solicitou pareceres formais da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Até que o Supremo tome uma decisão definitiva, os processos de execução penal relacionados aos atos antidemocráticos seguirão os termos das sentenças já transitadas em julgado, sem as reduções previstas pela nova lei.