31 de julho de 2025
Crise Merengue

Sem títulos e em guerra interna: crise explode no Real Madrid e expõe pressão insuportável no maior clube do mundo

Brigas no elenco, pressão sobre Mbappé e caos nos bastidores mostram que temporadas sem taças são inaceitáveis no Santiago Bernabéu

Por Raphael Medeiros
Publicado em
Elenco merengue não reage bem à momentos de vacas magras - Foto: Fonte: Real Madrid CF

No Real Madrid, temporadas sem títulos nunca são apenas temporadas ruins. No clube mais vencedor da história da Liga dos Campeões da UEFA, fracassar significa viver uma pressão constante, interna, externa e histórica. E o cenário atual em Valdebebas evidencia exatamente isso.

A mais recente polêmica aconteceu nesta quinta-feira (7), quando Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni protagonizaram uma grave discussão durante treinamentos. Segundo o jornal Marca, o uruguaio precisou ser levado ao hospital após sofrer um corte durante a confusão.

O clima já era ruim desde o treino anterior, quando os dois trocaram empurrões. No dia seguinte, Valverde teria se recusado a cumprimentar o companheiro, aumentando ainda mais a tensão. O ambiente explodiu nos vestiários, obrigando jogadores a separarem os atletas.

Internamente, o episódio foi tratado como um dos mais graves já vistos no CT do clube. A diretoria organizou uma reunião emergencial com o elenco, liderada pelo CEO José Ángel Sánchez, além de abrir processos disciplinares contra os envolvidos.

Mas a crise vai muito além da briga entre Valverde e Tchouaméni.

Nas últimas semanas, outros atritos vieram à tona. Antonio Rüdiger e Álvaro Carreras teriam discutido internamente. Kylian Mbappé também teria se desentendido com membros do staff do clube. O sentimento nos bastidores é de um vestiário fragmentado e sem liderança clara.

A instabilidade também passa pela comissão técnica. Desde a saída de Carlo Ancelotti, o clube não conseguiu encontrar estabilidade. A passagem de Xabi Alonso terminou cercada por resultados abaixo das expectativas e problemas internos. A chegada de Álvaro Arbeloa, aposta por conhecer o ambiente madridista, também não solucionou o problema.

O treinador entrou em rota de colisão até mesmo com Dani Carvajal, capitão da equipe, após questionamentos sobre tratamento dado a jogadores espanhóis e falta de minutagem para parte do elenco.

Dentro de campo, a temporada sem títulos potencializou a crise. Eliminado pelo Bayern de Munique nas quartas da Champions e distante da disputa de La Liga, o Real vê o rival Barcelona próximo de mais uma conquista nacional.

No Santiago Bernabéu, o peso da camisa transforma fracassos em crises institucionais. O clube acostumado a levantar troféus trata temporadas vazias como algo inadmissível — e a pressão interna aumenta proporcionalmente à ausência de conquistas.

Nem mesmo Mbappé escapou do ambiente tóxico. O francês virou alvo da torcida após ser visto viajando para a Itália durante recuperação de lesão. Parte dos torcedores acusou o atacante de já estar “de férias” antes do fim da temporada.

A repercussão foi tão grande que uma petição pedindo a saída do jogador ultrapassou milhões de assinaturas nas redes sociais. O entendimento de parte da torcida é de que o atacante estaria priorizando a preparação para a Copa do Mundo em vez da reta final da temporada merengue.

O cenário escancara um dos traços mais duros do Real Madrid: no clube mais vitorioso do futebol mundial, não existe espaço para normalizar derrotas. E quando os títulos desaparecem, o caos costuma aparecer logo depois.