Ginecologista investigado por abuso sexual durante atendimentos deixa prisão no Paraná
Justiça revoga prisão preventiva de ginecologista investigado por denúncias de pacientes em Teixeira Soares e Irati
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O ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, deixou a prisão nesta quinta-feira (7) após decisão da Justiça que revogou a prisão preventiva. O médico havia sido detido na quarta-feira (6), acusado de abuso sexual contra uma paciente durante trabalho de parto em Teixeira Soares, na região central do Paraná. Ele também é investigado por outros três relatos registrados pela Polícia Civil.
A decisão judicial considerou a idade do médico e a prescrição do caso investigado. Segundo a apuração, o episódio ocorreu em 2011 e foi denunciado após a paciente tomar conhecimento de relatos de outras mulheres. Pela legislação brasileira, crimes desse tipo prescrevem em 20 anos, mas o prazo foi reduzido para 10 anos porque o investigado tem mais de 70 anos. Com isso, a Justiça declarou extinta a punibilidade no caso relacionado ao parto.
A defesa solicitou que o médico respondesse ao processo em liberdade. Em nota, os advogados afirmaram que a prisão era desnecessária e destacaram que os fatos investigados ocorreram há 15 anos, durante atendimento médico relacionado a um parto.
De acordo com a Polícia Civil, ao menos quatro mulheres denunciaram Felipe Lucas por abuso sexual durante consultas e exames ginecológicos. A paciente do caso de 2011 procurou a polícia após a divulgação de outras denúncias registradas em Irati. Em abril, três mulheres relataram situações semelhantes envolvendo atendimentos realizados pelo médico.
No caso mais recente, o investigado foi enquadrado por estupro de vulnerável. Segundo a vítima, o abuso ocorreu durante exame realizado antes do parto. A Polícia Civil entendeu que a paciente estava em condição que impossibilitava reação durante o atendimento.
A primeira denúncia tornou o médico réu por violação sexual mediante fraude. As demais denúncias não resultaram em novos processos devido à prescrição. Segundo o delegado Luis Henrique Dobrychtop, os relatos apresentam semelhanças e apontam repetição de condutas ao longo dos anos.
As investigações indicam que as vítimas demoraram a denunciar os casos por receio da influência política do médico, que também atuou como vereador, prefeito e deputado estadual em Irati. A polícia afirma que ele utilizava procedimentos clínicos como justificativa para os atos denunciados.
A primeira denúncia formal foi registrada por uma mulher de 24 anos, atendida no início de fevereiro em Irati, na rede pública de saúde. Ela procurou a delegacia sete dias após o atendimento e relatou abalo emocional após o exame ginecológico. Segundo a investigação, a paciente afirmou que o médico realizou toques e massagens íntimas sem relação com protocolos clínicos.
A Polícia Civil informou ainda que o prontuário eletrônico da instituição não continha registros do atendimento realizado pelo investigado na data denunciada. O Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS Amcespar) informou que o médico solicitou afastamento temporário em 9 de abril.
Durante as investigações, foram ouvidas testemunhas, profissionais de saúde, a vítima, o marido dela e o filho do casal, que estava presente na clínica no dia do atendimento. A polícia representou pelo afastamento das funções públicas e pela suspensão do exercício profissional do médico. O pedido aguarda análise do Tribunal de Justiça do Paraná.
Felipe Lucas atua na medicina desde 1975, com registro ativo no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). Em 2024, recebeu homenagem do conselho pelos 50 anos de profissão. Além da carreira médica, exerceu cargos políticos em Irati, incluindo mandatos como vereador, prefeito e deputado estadual.
Em nota, a defesa afirmou que a Justiça reconheceu a extinção da punibilidade e determinou a soltura imediata do médico. Os advogados declararam que continuarão acompanhando o caso e adotando medidas relacionadas ao processo.