Alagoas fecha 2025 com déficit de R$ 605 milhões e quase R$ 3 bilhões em restos a pagar
Relatório fiscal oficial aponta insuficiência de caixa no governo estadual e aumento das despesas empenhadas sem cobertura financeira
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O Governo de Alagoas encerrou o exercício fiscal de 2025 com um déficit de R$ 605,2 milhões na disponibilidade de caixa líquida, segundo dados oficiais do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) referentes ao 3º quadrimestre do ano. O documento revela ainda que o Estado acumulou quase R$ 3 bilhões em restos a pagar empenhados e não liquidados, indicando pressão crescente sobre as contas públicas estaduais.
Os números constam no demonstrativo divulgado pelo Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi) e mostram que, após todas as deduções e inscrições de despesas pendentes, Alagoas terminou o ano com disponibilidade de caixa líquida negativa de R$ 605.294.443,25.
O relatório aponta que o volume de restos a pagar empenhados e ainda não liquidados chegou a R$ 2.983.382.864,22 ao fim de 2025. Na prática, isso representa despesas assumidas pelo governo, mas que ficaram sem pagamento dentro do exercício financeiro.
Apesar do déficit de caixa, o Estado permaneceu abaixo do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal em relação à despesa com pessoal. Segundo o documento, os gastos com servidores somaram R$ 7,3 bilhões, equivalente a 38,77% da Receita Corrente Líquida ajustada, percentual inferior ao teto máximo de 49% permitido para o Poder Executivo estadual.
Na área do endividamento, a Dívida Consolidada Líquida de Alagoas alcançou R$ 13,54 bilhões, correspondendo a 71,45% da Receita Corrente Líquida ajustada. Embora o índice permaneça abaixo do limite de 200% fixado pelo Senado Federal, o crescimento do endividamento chama atenção em meio ao cenário de baixa disponibilidade financeira do Estado.
O relatório também detalha que a disponibilidade bruta de caixa do governo estadual chegou a R$ 3,15 bilhões. No entanto, obrigações financeiras, despesas vinculadas e restos a pagar acabaram consumindo praticamente todo o saldo disponível.
Os dados reforçam o debate sobre a situação fiscal de Alagoas e devem aumentar a pressão política em torno da gestão financeira do Estado, especialmente diante das discussões sobre investimentos, reajustes salariais e capacidade de pagamento da máquina pública ao longo de 2026.
