31 de julho de 2025
sob análise

Hantavírus pode causar pandemia? Veja o que dizem especialistas

Navio isolado em Cabo Verde teve três mortes e outros casos confirmados durante viagem entre Argentina e Espanha

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Shutterstock

Um cruzeiro com destino à Espanha enfrenta uma situação médica após três tripulantes morrerem em decorrência de hantavírus. Outros três casos da doença foram confirmados no navio MV Hondius, segundo informou a empresa responsável pela embarcação na última segunda-feira (4).

Apesar das ocorrências, especialistas e autoridades de saúde descartaram risco de epidemia ou pandemia relacionada ao hantavírus. Em entrevista à AFP, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco de disseminação global é considerado baixo.

O médico infectologista Luan Victor, do Hospital São José de Doenças Infecciosas, no Ceará, também declarou que a possibilidade de avanço da doença para cenários de epidemia é reduzida. Segundo o especialista, o hantavírus depende da transmissão por roedores silvestres, o que dificulta a propagação em larga escala.

De acordo com o infectologista, doenças transmitidas diretamente entre pessoas, como Covid-19 e gripe H1N1, apresentam maior velocidade de contágio. Já o hantavírus possui transmissão ligada principalmente ao contato com partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva de roedores infectados.

O vírus pertence à família Hantaviridae e ao gênero Orthohantavirus. A infecção pode ocorrer por inalação de poeira contaminada em locais fechados, galpões, áreas rurais e ambientes utilizados para armazenamento de grãos.

Segundo o Ministério da Saúde, entre as situações de risco para transmissão estão limpeza de imóveis fechados, atividades agrícolas, desmatamento, contato com roedores silvestres e manuseio de grãos armazenados.

O navio MV Hondius, operado pela empresa Oceanwide Expeditions, saiu da cidade de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Durante a viagem, a embarcação passou por regiões do Atlântico Sul, incluindo Antártica, Geórgia do Sul, Tristan da Cunha, Santa Helena e Ilha de Ascensão.

Após os registros da doença, o cruzeiro foi isolado na costa de Cabo Verde para investigação dos casos. Segundo a representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand, os três passageiros infectados permanecem estáveis e um deles não apresenta sintomas.