31 de julho de 2025
POLÍCIA

Grávida denuncia ter sido espancada por patroa após acusação de furto no Maranhão

Jovem de 19 anos afirma que foi agredida por quase uma hora; empresária investigada já responde a outros processos por violência

Por Redação
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Carolina Sthela Ferreira dos Anjos/Hematoma da vítima - Foto: Reprodução/Redes sociais

Uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de quase seis meses, denunciou ter sido brutalmente agredida após ser acusada de furtar joias da ex-patroa em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. O caso é investigado pela Polícia Civil do Maranhão e ganhou repercussão após a divulgação de áudios atribuídos à suspeita confessando as agressões.

Segundo o relato da vítima, que não teve o nome divulgado oficialmente, ela aceitou um trabalho temporário de um mês para conseguir dinheiro para comprar o enxoval do bebê. Durante o período em que trabalhava na residência, passou a ser acusada pela patroa de ter furtado um anel.

A jovem afirma que foi espancada dentro da casa pela empregadora e por um homem armado ainda não identificado. De acordo com a denúncia, ela sofreu diversos golpes, incluindo uma coronhada na testa. O anel que teria motivado a violência foi encontrado cerca de uma hora depois em um cesto de roupas sujas no banheiro da residência.

Mesmo após a localização do objeto, as agressões continuaram, conforme apontam os relatos e os áudios obtidos pela afiliada da Grupo Globo no Maranhão.

Nas gravações atribuídas à empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, a suspeita descreve as agressões cometidas contra a jovem e afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”.

“Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, diz um dos trechos divulgados.

Em outro áudio, a empresária relata que continuou agredindo a jovem mesmo após o anel ser encontrado.

“Tapa e tapa, menina, dei. Gente, eu dei tanto que minha mão tá inchada. Até hoje meu dedo chega tá roxo”, afirma a suspeita na gravação.

A vítima procurou atendimento na Casa da Mulher Brasileira, onde registrou boletim de ocorrência e realizou exame de corpo de delito. O laudo confirmou marcas de agressão.

A ex-patroa também procurou a polícia no dia 17 de abril. Em depoimento, alegou que percebeu o desaparecimento de joias e afirmou que apenas familiares e a empregada tinham acesso à residência. Segundo sua versão, os objetos teriam sido encontrados na bolsa da jovem, que teria fugido antes da chegada da polícia.

O caso está sendo apurado pela 21ª Delegacia do Araçagi. Segundo a polícia, Carolina Sthela já responde a mais de dez processos relacionados a agressões. Em 2024, ela foi condenada após acusar indevidamente uma babá de furto. Na ocasião, a pena foi convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de indenização.

A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Comissão de Direitos Humanos, acompanha o caso e prepara um relatório sobre os antecedentes envolvendo a suspeita.

Em nota enviada à imprensa, a defesa da empresária afirmou que as acusações representam “uma distorção do que realmente aconteceu” e informou que medidas jurídicas já foram adotadas.

O caso segue sob investigação.