31 de julho de 2025
ESPAÇO

Objeto menor que Plutão surpreende cientistas ao revelar atmosfera no espaço profundo

Descoberta inédita no Cinturão de Kuiper desafia teorias da astronomia sobre corpos pequenos do sistema solar

Por Redação
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Objeto 2002 XV93: pequeno corpo do sistema solar externo surpreende ao exibir uma fina camada de gás - Foto: NAOJ / Ko Arimatsu

Astrônomos anunciaram uma descoberta considerada histórica para a astronomia moderna: um pequeno objeto localizado no distante Cinturão de Kuiper apresentou sinais claros de uma atmosfera extremamente fina, algo que até então era considerado improvável pela ciência.

O corpo celeste identificado como (612533) 2002 XV93 fica além da órbita de Netuno e possui aproximadamente 500 quilômetros de diâmetro — tamanho muito inferior ao de Plutão, que mede cerca de 2.300 km e já era conhecido por possuir uma atmosfera tênue.

A descoberta foi publicada na revista científica Nature Astronomy e chamou atenção por contrariar teorias tradicionais da astronomia. Até então, cientistas acreditavam que objetos tão pequenos não teriam gravidade suficiente para manter gases ao redor de si.

A detecção aconteceu durante um fenômeno conhecido como ocultação estelar, quando o objeto passa na frente de uma estrela distante. O estudo foi liderado pelo pesquisador Ko Arimatsu, do Observatório Astronômico Nacional do Japão.

Segundo os pesquisadores, quando um objeto sem atmosfera cruza diante de uma estrela, o brilho desaparece instantaneamente. No caso do 2002 XV93, porém, houve uma transição suave de aproximadamente 1,5 segundo, indicando a presença de gases ao redor do corpo celeste.

Os cálculos apontam que essa atmosfera é entre 5 e 10 milhões de vezes mais fina que a da Terra. Ainda assim, a descoberta já é suficiente para mudar a forma como os cientistas enxergam os chamados objetos transnetunianos.

Entre as hipóteses levantadas para explicar a origem da atmosfera estão processos de criovulcanismo — espécie de vulcanismo gelado que libera gases como metano e nitrogênio — ou até uma colisão recente com outro objeto espacial.

Caso tenha sido causada por impacto, a atmosfera pode desaparecer em poucas centenas de anos. Porém, se houver atividade interna contínua, ela pode persistir por muito mais tempo.

A descoberta reforça a ideia de que o Cinturão de Kuiper pode ser muito mais ativo e dinâmico do que se imaginava anteriormente, abrindo espaço para novas pesquisas sobre a formação de atmosferas e evolução de corpos gelados no sistema solar externo.

Os próximos estudos devem utilizar o Telescópio Espacial James Webb para tentar identificar a composição química da atmosfera e entender melhor sua origem.