31 de julho de 2025
SAÚDE

Vacinação contra HPV é apontada como chave para reduzir câncer de colo do útero no Brasil

Especialistas alertam para alta incidência da doença no Norte e Nordeste e defendem ampliação da cobertura vacinal

Por Redação
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O debate foi promovido pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS); a senadora Dra. Eudócia presidiu o debate. - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O câncer do colo do útero continua sendo um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, com maior incidência e mortalidade nas regiões Norte e Nordeste. Durante audiência pública no Senado, especialistas defenderam que a ampliação da vacinação contra o HPV é fundamental para reduzir os casos e, no futuro, eliminar a doença.

O debate ocorreu na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e reuniu representantes do governo, médicos e entidades da área da saúde. A avaliação geral é que, embora o país tenha estrutura para prevenção e diagnóstico, ainda há falhas na cobertura vacinal e no acesso ao rastreamento.

O debate foi conduzido pela senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), que alertou para o avanço do câncer do colo de útero no país. Ela defendeu o avanço da vacinação, a ampliação das políticas públicas do Ministério da Saúde e a adoção de diretrizes “práticas e objetivas” para a população.

"Os estudos mostram que hoje as doenças cardiovasculares são as que mais matam e que as doenças oncológicas estão em segundo lugar. Porém, até 2030, [a estimativa é que] as doenças oncológicas ficarão em primeiro lugar. (...) As políticas públicas são de suma importância", destacou a senadora.

Representando o Ministério da Saúde, Guacyra Magalhães afirmou que o Brasil já iniciou a implementação de um modelo de rastreamento mais moderno, com testes de DNA do HPV, e que a estratégia deve ser ampliada em todo o país até o fim do ano.

Vacinação ainda abaixo da meta

Dados apresentados durante a audiência indicam que o Brasil ainda não atinge as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A recomendação é vacinar 90% de meninas e meninos entre 9 e 14 anos, mas o país não chega a 80% de cobertura entre meninas e nem a 70% entre meninos.

O diretor do Instituto Nacional de Câncer, Roberto Gil, reforçou que o câncer do colo do útero é evitável com a vacinação contra o HPV. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina quadrivalente, que protege contra os principais tipos do vírus associados à doença.

Especialistas também defendem estratégias como a retomada da vacinação nas escolas e campanhas de conscientização para aumentar a adesão.

Diagnóstico tardio ainda é desafio

Outro ponto de alerta é que muitos casos ainda são diagnosticados em estágio avançado, o que reduz as chances de cura. Segundo especialistas, a sobrevida pode ultrapassar 70% em países desenvolvidos, mas fica abaixo de 20% em regiões com menor acesso à saúde.

Além do câncer do colo do útero, outros tumores ginecológicos também preocupam, como o câncer de ovário — que tem alta letalidade — e o câncer de endométrio, que vem crescendo no país.

Desigualdade social impacta números

A audiência também destacou que a doença está diretamente ligada a fatores sociais, como acesso à saúde, informação e renda. Mulheres em situação de vulnerabilidade são as mais afetadas, o que reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

Para especialistas, a combinação entre vacinação, rastreamento e diagnóstico precoce é o caminho mais eficiente para reduzir mortes e controlar a doença no Brasil.