31 de julho de 2025
AMAZONAS

Caso Benício: investigação aponta pagamento para produção de vídeo manipulado

Investigação aponta tentativa de manipulação de provas após morte de criança em hospital de Manaus

Por Redação
Publicado em
Médica Juliana Brasil, responsável pelo atendimento ao menino Benício - Foto: Reprodução

Novos desdobramentos no caso que investiga a morte do menino Benício Xavier de Freitas indicam uma possível tentativa de manipulação de provas. Mensagens obtidas pela CNN Brasil revelam que a médica Juliana Brasil teria articulado o pagamento para produção de um vídeo adulterado, com o objetivo de sustentar a versão de falha no sistema hospitalar.

O caso ocorreu em novembro de 2025, em Manaus, e ganhou repercussão nacional após a morte da criança, que sofreu uma overdose de adrenalina após administração considerada incompatível com o quadro clínico.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, as mensagens mostram uma conversa entre a médica e uma colega sobre a possibilidade de pagar para que alguém registrasse imagens do sistema hospitalar Tasy.

Em um dos trechos, há menção direta à oferta de dinheiro para filmar o sistema, com o intuito de demonstrar uma suposta falha na prescrição médica. Em outra mensagem, a própria médica indica que receberia um vídeo “já alterado”.

Para os investigadores, os diálogos evidenciam a intenção de produzir um material apócrifo, capaz de influenciar o rumo da apuração e afastar a responsabilidade pelo caso.

O menino deu entrada no Hospital Santa Júlia com sintomas de laringite, mas acabou recebendo adrenalina por via intravenosa, em dosagem inadequada. O procedimento resultou em agravamento do quadro, com insuficiência respiratória, paradas cardíacas e, posteriormente, morte cerebral.

A principal linha de investigação aponta erro na prescrição e na administração do medicamento.

Diante das evidências, a Polícia Civil do Amazonas indiciou Juliana Brasil pelos crimes de:

  • - homicídio qualificado pelo emprego de veneno
  • - falsidade ideológica
  • - uso de documento falso
  • - fraude processual

A polícia sustenta que, além da falha médica, houve tentativa deliberada de interferir nas investigações.

A defesa da médica afirma que o indiciamento é precipitado e nega a responsabilidade direta pela morte da criança. Segundo os advogados, houve uma cadeia de erros dentro do hospital, incluindo falhas da equipe de enfermagem e problemas técnicos no sistema eletrônico.

Os representantes também questionam o nexo causal entre a conduta inicial e o desfecho fatal, ocorrido horas depois na UTI.