Laudo da PRF aponta excesso de velocidade como causa de acidente com 17 mortos em Pernambuco
Ônibus trafegava a cerca de 90 km/h em trecho onde o máximo recomendado era 60 km/h
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Um laudo pericial da Polícia Rodoviária Federal concluiu que o excesso de velocidade foi a principal causa do acidente com um ônibus que deixou 17 mortos e dezenas de feridos na BR-423, na Serra dos Ventos, em Saloá, no Agreste pernambucano, em outubro de 2025.
De acordo com o documento, o veículo trafegava a aproximadamente 90 km/h em um trecho de descida com curva acentuada, onde a velocidade segura seria de até 60 km/h. A condição tornou impossível o controle da direção, resultando no grave acidente.
A perícia aponta que o ônibus, modelo Scania/Comil Campione R, iniciou a descida da serra e, ao se aproximar de uma curva, aumentou significativamente a velocidade. O motorista ainda tentou contornar a curva invadindo o acostamento, mas perdeu o controle.
O veículo entrou na contramão, percorreu cerca de 79 metros derrapando e colidiu com um talude. Em seguida, voltou à pista, percorreu mais 38 metros, bateu em um barranco e acabou tombando. O impacto foi tão intenso que arrancou poltronas e lançou passageiros dentro e fora do ônibus.
Dados do tacógrafo e da telemetria confirmaram que a velocidade subiu rapidamente de cerca de 58 km/h para mais de 90 km/h poucos segundos antes da curva. Segundo o laudo, essa velocidade era “totalmente incompatível” com a geometria da via.
Apesar do relato inicial do motorista sobre possível falha nos freios, a perícia descartou problemas no sistema de frenagem. Imagens de câmera de segurança mostraram o funcionamento adequado momentos antes do acidente.
O laudo também identificou que o condutor dirigia há 4 horas e 25 minutos sem pausa, descumprindo a legislação. A fadiga é apontada como fator que pode ter comprometido a atenção e o tempo de reação.
Outro agravante foi o não uso de cintos de segurança por grande parte dos passageiros. Embora o ônibus estivesse equipado, os dispositivos não estavam sendo utilizados, o que contribuiu para a gravidade das lesões.
A perícia também apontou falhas na sinalização da rodovia. Não havia placas claras indicando o limite de velocidade no trecho do acidente, e a sinalização horizontal estava desgastada, dificultando a visualização, principalmente à noite.
Os técnicos recomendam melhorias urgentes na sinalização da Serra dos Ventos, além de reforço na fiscalização e orientação de motoristas e empresas de transporte, para evitar novos acidentes.
O acidente ocorreu no dia 17 de outubro de 2025, por volta das 19h20, em um dos trechos mais perigosos da BR-423, marcado por descidas íngremes, curvas sinuosas e falta de iluminação.