31 de julho de 2025
efeitos

Creatina: o que acontece com seu cérebro e seus músculos ao suplementar diariamente?

Especialistas alertam que os efeitos dela variam conforme o perfil, os hábitos e as necessidades individuais de cada um

Por Redação
Publicado em
Imagem ilustrativa - Foto: Freepik

A creatina é um composto produzido pelo corpo humano e obtido por meio da alimentação, com função na geração de energia para as células. Armazenada nos músculos sob a forma de fosfocreatina, a substância atua na ressíntese de ATP, molécula responsável pelo fornecimento energético em atividades de intensidade elevada e duração reduzida. Segundo Hamilton Roschel, professor da Universidade de São Paulo (USP), o benefício da suplementação é registrado em exercícios intermitentes, como musculação e corridas de velocidade, onde a demanda por potência ocorre em poucos segundos.

O armazenamento de creatina no tecido muscular possui um limite de capacidade. A nutricionista Maria Fernanda Elias, doutora em Ciências pela USP, afirma que, após atingir a saturação desses estoques, a ingestão adicional do suplemento não resulta em ganho de desempenho. O efeito da suplementação é mais acentuado em indivíduos que apresentam níveis basais baixos do composto. Por esse motivo, a necessidade de uso depende da dieta habitual e do tipo de esforço físico praticado pelo indivíduo, tornando a avaliação profissional um requisito para evitar o consumo desnecessário.

Pesquisas indicam que a creatina também desempenha funções no sistema nervoso central, participando do metabolismo energético do cérebro. Estudos apontam melhorias na função cognitiva, memória e foco, com resultados mais visíveis em grupos vegetarianos, que não consomem carnes, a principal fonte alimentar do nutriente. Contudo, os efeitos cognitivos são considerados variáveis e dependem das condições biológicas de cada perfil. A indicação do uso deve considerar se a modalidade esportiva praticada utiliza as vias energéticas estimuladas pela substância.