Raquel Lyra diz que tragédia das chuvas em Pernambuco não é “desastre natural” e cobra investimentos estruturais
Governadora afirma que repetição de alagamentos e mortes está ligada à falta de obras e defende ações permanentes nas áreas de risco
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A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, afirmou que os impactos das fortes chuvas no estado não devem ser tratados apenas como eventos naturais. Em entrevista concedida neste domingo (3), ela destacou que a repetição dos problemas ao longo dos anos evidencia falhas estruturais.
Segundo a gestora, os episódios recorrentes de alagamentos e deslizamentos estão ligados à ausência de investimentos contínuos em infraestrutura urbana. “Não adianta a gente dizer que isso foi um desastre natural. Aqui, de ano em ano, a gente vê as mesmas coisas acontecerem, muitas vezes em razão de omissão de investimentos permanentes”, afirmou.
Raquel Lyra ressaltou que o cenário reforça a necessidade de medidas mais duradouras. Para ela, é preciso investir em obras estruturais ou garantir a retirada de famílias que vivem em áreas de risco, com oferta de moradia adequada. “Ou a gente investe em obras ou a população precisa ser retirada de lá”, disse.
A governadora também destacou que o estado vem atuando com obras e articulação institucional desde o início do mandato, com apoio do governo federal e integração com os municípios. Segundo ela, o trabalho conjunto tem buscado fortalecer a resposta às emergências e prevenir novos desastres.
De acordo com a gestora, as equipes seguem mobilizadas nas áreas atingidas e só deixarão os locais quando a situação estiver normalizada. “Só vamos sair a partir do momento em que conseguirmos restabelecer a normalidade da vida das pessoas”, afirmou.
As fortes chuvas que atingiram Pernambuco desde a última sexta-feira (1º) já deixaram pelo menos seis mortos na Região Metropolitana do Recife. Além disso, mais de 2 mil pessoas estão fora de suas casas e mais de 800 foram resgatadas pelas equipes de emergência.
Em cidades como Olinda, os efeitos dos temporais ainda são visíveis, com pontos de alagamento e atuação de máquinas em áreas críticas, como o Canal do Fragoso, historicamente afetado por enchentes.
O governo estadual mobilizou uma força-tarefa para levantamento de danos e atendimento às vítimas. Até o momento, foram distribuídos itens emergenciais como colchões, lençóis, kits de limpeza e de higiene para as famílias atingidas.
Diante da gravidade da situação, 27 municípios pernambucanos estão em estado de emergência, medida que permite agilizar ações de assistência e facilitar o acesso a recursos públicos para reconstrução das áreas afetadas.