Trabalho de cuidado sobrecarrega mulheres e funciona em escala “7x0”, aponta estudo
Atividades domésticas e de cuidado seguem invisíveis, não remuneradas e impactam saúde e renda feminina
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O trabalho de cuidado realizado por mulheres no Brasil e no mundo segue marcado pela sobrecarga e pela invisibilidade. Segundo estudo divulgado por pesquisadoras e entidades ligadas ao tema, essas atividades funcionam, na prática, em uma escala “7x0” — sem pausas, descanso ou remuneração.
De acordo com análises apoiadas por organismos como a ONU Mulheres, o cuidado com filhos, idosos, pessoas com deficiência e as tarefas domésticas continuam sendo majoritariamente atribuídos às mulheres, o que amplia desigualdades sociais e econômicas.
O chamado trabalho de cuidado inclui atividades essenciais para o funcionamento da sociedade, como preparo de alimentos, limpeza da casa, acompanhamento escolar de crianças e assistência a idosos e pessoas doentes.
Apesar da relevância, essas tarefas não são remuneradas na maioria dos casos e tampouco entram nas estatísticas econômicas tradicionais, o que dificulta mensurar seu impacto real.
A sobrecarga do cuidado afeta diretamente a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Muitas acabam reduzindo a jornada profissional, aceitando empregos informais ou abandonando completamente a carreira.
Esse cenário contribui para a desigualdade salarial e limita o crescimento econômico feminino.
A rotina intensa, sem pausas, também gera consequências para a saúde. Especialistas apontam aumento de estresse crônico, ansiedade e exaustão física.
A ausência de políticas públicas eficazes de apoio ao cuidado agrava ainda mais o problema.
O estudo destaca que a divisão desigual do trabalho doméstico está enraizada em fatores culturais e históricos. Mesmo com avanços na participação feminina no mercado de trabalho, a responsabilidade pelo cuidado continua concentrada nas mulheres.
Pesquisadores e organismos internacionais defendem medidas para enfrentar o problema, como a ampliação de creches e serviços públicos de cuidado, políticas de licença parental mais equilibradas, incentivo à divisão igualitária das tarefas domésticas e o reconhecimento econômico do trabalho de cuidado.