Alagoas lidera perda de empregos no Nordeste em março, segundo dados do Caged
Estado registra saldo negativo de mais de 5 mil vagas, na contramão do crescimento puxado pelo semiárido e setor de serviços
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Alagoas registrou o pior desempenho na geração de empregos formais do Nordeste em março de 2026, com saldo negativo de 5.243 vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O resultado contrasta com o cenário regional, que teve crescimento expressivo puxado pelo interior.
No mesmo período, o Nordeste criou 25.138 vagas com carteira assinada, sendo 67% delas concentradas no semiárido — o equivalente a 16.834 postos de trabalho, evidenciando o avanço fora das capitais.
Alagoas na contramão do crescimento regional
Enquanto estados como Bahia (14.008 vagas), Ceará (6.629) e Piauí (3.308) lideraram a geração de empregos, Alagoas apresentou forte retração, seguido por Sergipe, que também teve saldo negativo (-338).
O desempenho negativo alagoano foi influenciado principalmente pelas perdas na indústria e na agropecuária — setores que puxaram o resultado regional para baixo.
Mesmo com o avanço do setor de serviços em toda a região — responsável por 29.346 vagas —, o crescimento não foi suficiente para compensar as perdas em Alagoas.
Em outros estados, os serviços foram decisivos para o saldo positivo, com destaque para áreas como saúde, educação e atividades administrativas. Em alguns casos, o setor chegou a superar o total de empregos gerados no estado.
Apesar do resultado negativo em Alagoas, o cenário geral do Nordeste aponta para uma mudança estrutural: o interior, especialmente o semiárido, se consolida como principal motor da geração de empregos.
Na comparação com fevereiro, o saldo regional cresceu quase 75%, indicando retomada econômica, principalmente em cidades de médio porte.
Outro dado relevante é o protagonismo feminino: as mulheres responderam por 92% das vagas criadas em março na região. Ainda assim, a diferença salarial permanece — com rendimento médio inferior ao dos homens.
Os setores industriais (-7.630 vagas) e agropecuários (-8.347) tiveram desempenho negativo no Nordeste, com impacto direto em estados como Alagoas, que registrou uma das maiores quedas nesses segmentos.