“Minha mãe está há dias esperando uma vaga”: família denuncia demora em transferência em UPA estadual
Caso expõe crise na saúde pública de Alagoas, com relatos de superlotação, falhas estruturais e ação do Ministério Público
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A demora na transferência de uma paciente idosa internada na UPA da Chã da Jaqueira, em Maceió, acendeu um novo alerta sobre a situação da saúde pública em Alagoas. A filha da paciente denunciou, na noite desta quinta-feira (30), a falta de regulação para encaminhamento da mãe a um hospital de maior porte, onde ela precisa realizar uma endoscopia após um quadro de hemorragia interna.
Segundo o relato, a idosa está internada desde o último domingo aguardando uma vaga. A espera prolongada tem gerado angústia na família, que cobra rapidez no atendimento. “Uma pessoa que teve hemorragia interna está aqui há dias esperando uma transferência e essa vaga não aparece”, desabafou.
A denunciante também questionou a efetividade do sistema de regulação da rede estadual. Para ela, a ausência de vagas compromete a continuidade do tratamento e evidencia falhas na assistência prestada pelo Estado. O caso envolve uma unidade administrada pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Denúncias se acumulam na rede estadual
O episódio não é isolado. Ao longo do mês de abril, diferentes problemas envolvendo unidades de saúde do estado vieram à tona, aumentando a pressão sobre a gestão pública.
Na Maternidade Escola Santa Mônica, também em Maceió, o Sindicato dos Médicos de Alagoas denunciou superlotação e condições precárias de atendimento. Vídeos divulgados mostram pacientes acomodadas em cadeiras e corredores, além de relatos de falta de leitos e risco à segurança de gestantes e recém-nascidos.
Além disso, surgiram denúncias sobre suposta presença de vermes na alimentação e até registros de escorpiões dentro da unidade. A direção da maternidade informou que não recebeu reclamações formais sobre os alimentos e afirmou que mantém protocolos rigorosos de segurança, além de ações contínuas de controle de pragas.
Situação em Arapiraca também preocupa
Em Arapiraca, a crise ganhou contornos ainda mais graves após o Ministério Público do Estado de Alagoas ajuizar uma ação civil pública contra o Estado. O alvo é a Unidade de Emergência Dr. Daniel Houly, onde foram identificadas irregularidades ambientais e sanitárias.
Entre os problemas apontados estão o lançamento irregular de esgoto, ausência de sistema adequado de tratamento de efluentes, armazenamento incorreto de resíduos hospitalares e falta de licenciamento ambiental e sanitário.
Segundo o MPAL, a situação representa risco direto à saúde pública e ao meio ambiente, podendo provocar contaminação do solo, do lençol freático e proliferação de doenças.