31 de julho de 2025
LIVRE COMÉRCIO

Acordo Mercosul–UE entra em vigor e abre mercado bilionário

Tratado assinado por Luiz Inácio Lula da Silva inicia fase provisória com redução de tarifas e potencial de ampliar exportações brasileiras

Por RAYANY FRANÇA
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Acordo Mercosul-UE - Foto: REPRODUÇÃO

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia passa a vigorar de forma provisória a partir desta sexta-feira (1º), marcando um dos movimentos mais relevantes do comércio internacional recente envolvendo o Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na última terça-feira (28), o decreto que autoriza a aplicação imediata da parte comercial do tratado no país, permitindo o início da redução de tarifas e da flexibilização de barreiras comerciais.

Neste primeiro momento, entram em vigor apenas os dispositivos comerciais. Já os pilares político e de cooperação ainda dependem da ratificação completa por todos os países da União Europeia, sem prazo definido.

O acordo envolve um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado de cerca de US$ 22 trilhões. A expectativa é de que, ao longo da implementação, mais de 90% do comércio entre os blocos seja liberalizado.

Na prática, a medida permitirá maior acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, que reúne cerca de 450 milhões de consumidores, além de oferecer mais previsibilidade regulatória para exportadores.

Estimativas da ApexBrasil indicam que o Brasil pode ampliar em até US$ 1 bilhão as exportações para a União Europeia nos próximos 12 meses. O cálculo considera centenas de produtos com potencial de ganho imediato entre milhares de itens que passam a ter tarifas reduzidas ou zeradas.

Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistência dentro da Europa. Países como Alemanha e Espanha defendem o tratado como forma de diversificar mercados e reduzir dependências estratégicas, especialmente em um cenário de tensões comerciais globais.

Por outro lado, nações como França demonstram preocupação com possíveis impactos sobre agricultores locais, sobretudo em setores como carne bovina e açúcar. Há também críticas de ambientalistas, que apontam riscos de aumento da pressão sobre florestas tropicais.

O tratado, negociado ao longo de 25 anos, é considerado um dos maiores já firmados pela União Europeia em termos de redução tarifária. Mesmo assim, economistas avaliam que seus ganhos, embora relevantes, podem não compensar integralmente perdas comerciais causadas por tensões com outras potências globais.

A entrada em vigor provisória representa um passo decisivo na integração entre os blocos, ainda que o acordo completo dependa de avanços políticos e aprovação formal nos países europeus.