31 de julho de 2025
saúde

Estudos revelam que até 14% dos pacientes não respondem a "canetas emagrecedoras"

A ausência de resultados raramente possui uma causa única, envolvendo uma combinação de fatores biológicos e comportamentais

Por Redação
Publicado em
A ausência de resultados raramente possui uma causa única, envolvendo uma combinação de fatores biológicos e comportamentais - Foto: Freepik

A quebra da patente da semaglutida, ocorrida em março de 2026, aumentou a expectativa por versões mais acessíveis de medicamentos como Ozempic e Wegovy. No entanto, especialistas alertam que o sucesso desses fármacos não é garantido para todos: evidências científicas indicam que entre 5% e 14% dos pacientes não respondem ao tratamento como o esperado nos primeiros meses de uso.

Estudos clínicos como o STEP 1 (semaglutida) e o SURMOUNT-1 (tirzepatida) mostram que uma parcela significativa dos usuários não consegue perder sequer 5% do peso corporal. "Cada pessoa responde de um jeito. Podemos dizer que cerca de 10% dos pacientes não têm uma boa resposta", explica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Hospital Albert Einstein.

Por que o medicamento falha em alguns casos?

A ausência de resultados raramente possui uma causa única, envolvendo uma combinação de fatores biológicos e comportamentais:

- Diabetes e Resistência à Insulina: Pacientes com diabetes tipo 2 costumam apresentar uma perda de peso menos expressiva do que pessoas sem a doença.

- Dosagem e Tolerância: O ajuste da dose deve ser progressivo. Muitos pacientes interrompem o tratamento devido a efeitos colaterais antes de atingirem a dosagem plena.

- Genética: Pesquisas publicadas na revista Nature identificaram variantes no gene do receptor de GLP-1 que influenciam tanto a eficácia quanto a propensão a náuseas e vômitos.

- Interações Medicamentosas: O uso de insulinas, antidepressivos, antipsicóticos e corticoides pode favorecer o ganho de peso e anular o efeito das canetas.

- Fatores Emocionais: Pacientes que comem por razões "hedônicas" (emocionais) em vez de fome fisiológica podem ter mais dificuldade em responder à saciedade induzida pelo fármaco.

A discussão sobre a eficácia também impacta o acesso público. Em agosto de 2025, a Conitec rejeitou a incorporação desses medicamentos ao SUS devido ao alto custo e incertezas sobre o custo-benefício em larga escala. No entanto, em 2026, a farmacêutica Novo Nordisk anunciou um projeto-piloto no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro para ofertar o Wegovy na rede pública, visando coletar dados sobre o impacto social e econômico do tratamento em populações vulneráveis.

O que fazer se não houver resposta?


A orientação médica é não interromper o uso por conta própria. Especialistas recomendam uma revisão da estratégia terapêutica que inclui:

Verificar se a dose recomendada foi atingida;

Avaliar a qualidade do sono e os níveis de estresse;

Revisar o consumo de álcool e a dieta;

Considerar a troca do princípio ativo ou o reforço em mudanças no estilo de vida.

O acompanhamento médico contínuo continua sendo o pilar central para sustentar a perda de peso a longo prazo, independentemente do medicamento utilizado.