Estudos revelam que até 14% dos pacientes não respondem a "canetas emagrecedoras"
A ausência de resultados raramente possui uma causa única, envolvendo uma combinação de fatores biológicos e comportamentais
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A quebra da patente da semaglutida, ocorrida em março de 2026, aumentou a expectativa por versões mais acessíveis de medicamentos como Ozempic e Wegovy. No entanto, especialistas alertam que o sucesso desses fármacos não é garantido para todos: evidências científicas indicam que entre 5% e 14% dos pacientes não respondem ao tratamento como o esperado nos primeiros meses de uso.
Estudos clínicos como o STEP 1 (semaglutida) e o SURMOUNT-1 (tirzepatida) mostram que uma parcela significativa dos usuários não consegue perder sequer 5% do peso corporal. "Cada pessoa responde de um jeito. Podemos dizer que cerca de 10% dos pacientes não têm uma boa resposta", explica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Hospital Albert Einstein.
Por que o medicamento falha em alguns casos?
A ausência de resultados raramente possui uma causa única, envolvendo uma combinação de fatores biológicos e comportamentais:
- Diabetes e Resistência à Insulina: Pacientes com diabetes tipo 2 costumam apresentar uma perda de peso menos expressiva do que pessoas sem a doença.
- Dosagem e Tolerância: O ajuste da dose deve ser progressivo. Muitos pacientes interrompem o tratamento devido a efeitos colaterais antes de atingirem a dosagem plena.
- Genética: Pesquisas publicadas na revista Nature identificaram variantes no gene do receptor de GLP-1 que influenciam tanto a eficácia quanto a propensão a náuseas e vômitos.
- Interações Medicamentosas: O uso de insulinas, antidepressivos, antipsicóticos e corticoides pode favorecer o ganho de peso e anular o efeito das canetas.
- Fatores Emocionais: Pacientes que comem por razões "hedônicas" (emocionais) em vez de fome fisiológica podem ter mais dificuldade em responder à saciedade induzida pelo fármaco.
A discussão sobre a eficácia também impacta o acesso público. Em agosto de 2025, a Conitec rejeitou a incorporação desses medicamentos ao SUS devido ao alto custo e incertezas sobre o custo-benefício em larga escala. No entanto, em 2026, a farmacêutica Novo Nordisk anunciou um projeto-piloto no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro para ofertar o Wegovy na rede pública, visando coletar dados sobre o impacto social e econômico do tratamento em populações vulneráveis.
O que fazer se não houver resposta?
A orientação médica é não interromper o uso por conta própria. Especialistas recomendam uma revisão da estratégia terapêutica que inclui:
Verificar se a dose recomendada foi atingida;
Avaliar a qualidade do sono e os níveis de estresse;
Revisar o consumo de álcool e a dieta;
Considerar a troca do princípio ativo ou o reforço em mudanças no estilo de vida.
O acompanhamento médico contínuo continua sendo o pilar central para sustentar a perda de peso a longo prazo, independentemente do medicamento utilizado.