Vandalismo ameaça apagar história milenar no Parque da Pedra Furada, no Agreste de Pernambuco
Depredação atinge patrimônio arqueológico em Venturosa e acende alerta sobre falta de fiscalização no Agreste
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Um dos mais importantes símbolos históricos e naturais do Agreste pernambucano, o Parque da Pedra Furada, em Venturosa, enfrenta um processo alarmante de degradação. Pichações vêm avançando sobre formações rochosas e, de forma ainda mais grave, já atingem pinturas rupestres milenares, registros raros da presença humana pré-histórica na região.
A denúncia foi formalizada por guias de turismo que atuam no local e acompanham, há anos, o avanço silencioso da depredação. Mais do que danos estéticos, o que está em risco é um acervo arqueológico insubstituível, que carrega marcas de povos originários e constitui um patrimônio de valor incalculável.
Criado em 1985, o parque abriga estruturas geológicas imponentes, como o arco natural que dá nome ao local, acessível por uma escadaria de 360 degraus. Entre essas formações, as pinturas rupestres, em tons avermelhados, resistiram ao tempo por milhares de anos, mas agora sofrem intervenções diretas causadas por ações humanas recentes.
Relatos apontam para a ausência de fiscalização, estrutura mínima e controle de acesso. Sem vigilância efetiva, o espaço permanece vulnerável à entrada indiscriminada de visitantes, muitos dos quais utilizam tintas e outros materiais para deixar marcas sobre as rochas, inclusive sobre os registros históricos.
O impacto vai além da perda cultural. A degradação compromete a experiência turística, afeta a imagem do destino e pode gerar prejuízos econômicos para a região. Visitantes já demonstram frustração diante do cenário, o que pode reduzir o fluxo turístico ao longo do tempo.
Do ponto de vista legal, o dano é ainda mais grave. Intervenções em sítios arqueológicos são enquadradas como crime contra o patrimônio cultural, com penalidades que incluem reclusão, multas elevadas e obrigação de custear processos técnicos de restauração, muitas vezes complexos e de resultado limitado. A proteção desses bens é de responsabilidade compartilhada entre o poder público e órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Especialistas alertam que, além dos autores diretos, a omissão do poder público também pode resultar em responsabilização. A falta de políticas efetivas de preservação, fiscalização e educação patrimonial contribui para um cenário de abandono que coloca em risco um legado que atravessou milênios.
Diante disso, cresce o apelo por medidas urgentes. A preservação do Parque da Pedra Furada não é apenas uma questão local, trata-se da proteção de um patrimônio coletivo, que pertence à história, à identidade e à memória de toda a sociedade. O que está sendo perdido não pode ser recriado. E o tempo para agir está se esgotando.