“Traição” no Senado derruba indicado de Lula ao STF
Votação secreta expõe racha na base e leva governo de Luiz Inácio Lula da Silva a buscar responsáveis após rejeição de Jorge Messias
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O Palácio do Planalto iniciou uma reação política após o Senado Federal rejeitar, na quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota, por 42 votos a 34, contrariou a expectativa do governo, que trabalhava com ao menos 41 votos favoráveis, e desencadeou um movimento interno para identificar possíveis dissidências na base aliada.
Nos bastidores, o resultado foi recebido com forte desconforto pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como a votação ocorre de forma secreta, aliados do Planalto articulam uma espécie de “mapa de votos” para tentar identificar quais senadores da base teriam votado contra a indicação. A estratégia busca recalibrar a relação com o Congresso e conter desgastes políticos.
Após a rejeição, Lula se reuniu com Jorge Messias para avaliar os fatores que levaram à derrota e discutir os próximos passos. Participaram do encontro o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães; o ministro da Defesa, José Múcio; e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
Interlocutores do Planalto afirmam que o presidente avalia medidas políticas como resposta ao revés. Entre as possibilidades em análise está a exoneração de indicados ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que atualmente ocupam cargos na estrutura do governo federal.
Publicamente, José Guimarães afirmou que o governo respeita a decisão do Senado, mas cobrou justificativas. Segundo ele, cabe aos parlamentares explicarem as razões da rejeição. No Congresso, a avaliação predominante é de que uma nova indicação ao STF deve ser adiada, possivelmente para depois do calendário eleitoral.
A rejeição de Jorge Messias marca um episódio inédito na história recente da República. Em 132 anos, é a primeira vez que uma indicação presidencial ao Supremo é barrada pelo Senado, o que amplia o peso político da derrota para o governo.
Desde o início de seus mandatos, Lula já indicou 11 ministros ao STF. Em períodos anteriores, as aprovações ocorreram com maior margem de segurança, incluindo casos de unanimidade. No atual mandato, no entanto, o cenário tem se mostrado mais desafiador.
O primeiro indicado desta gestão, Cristiano Zanin, foi aprovado com 58 votos favoráveis no plenário e 18 contrários, após obter 21 votos a favor e cinco contra na Comissão de Constituição e Justiça. Já Flávio Dino, empossado em dezembro de 2023, teve aprovação mais apertada: 47 votos favoráveis, 31 contrários e duas abstenções no plenário.
O resultado da votação que barrou Jorge Messias reforça sinais de maior resistência do Senado às indicações presidenciais e impõe ao governo o desafio de reconstruir sua base de apoio em votações estratégicas.