31 de julho de 2025
AL, PE E PB

MPF denuncia organização criminosa por fraude em concurso da Polícia Federal; esquema atuava no Nordeste

Grupo cobrava até R$ 280 mil por candidato e usava tecnologia para vazar provas em tempo real em estados como Alagoas, Pernambuco e Paraíba

Por Redação
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MPF denuncia dez pessoas por fraude no concurso da Polícia Federal de 2025 - Foto: Polícia Federal/Divulgação

O Ministério Público Federal apresentou a primeira denúncia criminal no âmbito das investigações das Operações Última Fase e Concorrência Simulada, que apuram um esquema de fraude em concursos públicos no país. A ação tem como foco irregularidades no concurso da Polícia Federal realizado em 2025 e envolve dez pessoas apontadas como integrantes de uma organização criminosa.

Segundo o MPF, o grupo atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas, com núcleos operacionais em Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

Como funcionava o esquema

De acordo com a denúncia, a organização utilizava métodos sofisticados para fraudar provas. Entre as estratégias estavam:

  • Captação de candidatos interessados em pagar pelo esquema;
  • Infiltração de pessoas nos locais de prova para fotografar os exames;
  • Envio das imagens em tempo real para especialistas;
  • Distribuição dos gabaritos mediante pagamento antecipado.

No caso do concurso da Polícia Federal de 2025, realizado em 27 de julho, a fraude teria beneficiado diretamente um candidato ao cargo de delegado, que possuía ligação com o grupo criminoso.

As investigações apontam ainda movimentações financeiras suspeitas e troca de mensagens que reforçam a participação dos denunciados.

Valores chegavam a R$ 280 mil

O MPF detalha que o esquema operava com lógica de mercado, cobrando valores proporcionais ao salário do cargo disputado. Em alguns casos, o custo para participação na fraude ultrapassava R$ 280 mil por candidato.

Os dez denunciados foram identificados conforme suas funções, incluindo gestores do esquema, intermediários, responsáveis pela resolução das provas, executores da captação de imagens e beneficiários diretos.

Crimes investigados

Os envolvidos poderão responder por diversos crimes, entre eles:

  • Organização criminosa;
  • Fraude em certame público;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Corrupção;
  • Falsidade documental;
  • Embaraço à investigação.

MPF pede revogação de delações

O órgão também informou que vai solicitar à Justiça a revogação dos benefícios de colaboração premiada de dois investigados. Segundo o MPF, eles teriam omitido informações relevantes e continuado a atuar no esquema mesmo após firmarem acordo.

Diante disso, o Ministério Público requer a responsabilização criminal dos envolvidos e o ressarcimento aos cofres públicos pelos prejuízos causados.