31 de julho de 2025
INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Mãe e padrasto são indiciados por envenenamento de crianças com “chumbinho” em Goiás

Menina de 9 anos morreu após jantar; irmão sobreviveu. Polícia aponta homicídio qualificado e omissão

Por Redação
Publicado em
Crianças envenenadas em Goiás - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Goiás indiciou a mãe e o padrasto das duas crianças envenenadas com “chumbinho” no município de Alto Horizonte, no norte do estado. Segundo o delegado Domênico Rocha, o padrasto vai responder por homicídio qualificado consumado e tentativa de homicídio, enquanto a mãe foi indiciada por omissão imprópria — quando deixa de agir para evitar o crime.

O caso ocorreu no dia 27 de março, após um jantar em família. Poucas horas depois, a filha mais velha, de 9 anos, passou mal e morreu. O irmão, de 8 anos, também foi hospitalizado em estado grave, mas sobreviveu após dias internado.

De acordo com a investigação, exames periciais identificaram a presença de terbufós — substância conhecida como “chumbinho” — no arroz consumido pelas crianças. O alimento estava armazenado na geladeira da casa e também foi encontrado no lixo, onde teria sido ingerido por gatos da vizinhança, que morreram.

Indícios e versões

Imagens de uma câmera na residência são apontadas como peça-chave no inquérito. Segundo a polícia, elas mostram o padrasto com o prato cheio durante o jantar, o que levantou a suspeita de que ele não teria ingerido a comida contaminada — hipótese reforçada por exame toxicológico negativo.

A mãe também teve resultado negativo no exame. Para a polícia, isso indica que o casal não consumiu o alimento envenenado.

Em depoimento, ambos negaram envolvimento. A defesa do padrasto informou que recebeu o indiciamento “com serenidade” e afirmou confiar no devido processo legal. A defesa da mãe não foi localizada.

Relação e responsabilidade

O delegado destacou que o casal vivia uma relação conturbada, com histórico de conflitos. Para a investigação, havia sinais de risco que poderiam ter sido evitados.

Apesar do indiciamento, a polícia não solicitou a prisão da mãe. Já o padrasto segue preso preventivamente em uma unidade prisional de Uruaçu.

Ponto ainda sem resposta

A polícia ainda não conseguiu determinar em que momento o veneno foi colocado na comida. Segundo o delegado, a ação pode ter ocorrido fora do alcance das câmeras.

O caso segue agora para o Ministério Público, que vai analisar o oferecimento de denúncia à Justiça.