Mulheres ganham até 21% menos que homens e desigualdade persiste em Alagoas, aponta relatório
Apesar do avanço na contratação, especialmente de mulheres negras, diferença salarial ainda é realidade no mercado formal
Publicado em
Dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial revelam que, apesar do avanço na presença feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda persiste em Alagoas e em todo o país. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres.
Em dezembro de 2025, Alagoas contabilizava 467 empresas com 100 ou mais empregados, responsáveis por 169,4 mil vínculos formais. Desse total, 52,4 mil postos eram ocupados por mulheres — sendo 75,1% por mulheres negras.
Mulheres negras lideram crescimento, mas recebem menos
O relatório aponta crescimento expressivo na contratação de mulheres negras no Brasil. Entre 2023 e 2025, o número de trabalhadoras pretas e pardas em grandes empresas saltou de 3,2 milhões para 4,2 milhões — um aumento de 29%.
Apesar disso, a desigualdade salarial segue evidente. Em Alagoas, mulheres negras recebem, em média, R$ 2.313,24, enquanto mulheres não negras têm rendimento médio de R$ 3.083,38.
Diferença salarial segue significativa
No estado, o salário médio das mulheres é de R$ 2.502,33, contra R$ 2.819,21 dos homens. A disparidade é ainda maior quando analisados recortes raciais: homens não negros recebem, em média, R$ 3.719,26.
No cenário nacional, a diferença salarial chegou a 21,3% em 2025, maior do que em 2023, quando era de 20,7%.
Endividamento e desigualdade caminham juntos
Mesmo com o crescimento do emprego formal e melhora de indicadores econômicos, o relatório destaca que a desigualdade de renda continua sendo um desafio estrutural, especialmente para mulheres negras e de baixa renda.
Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a discussão vai além do salário. “Estamos falando das condições de trabalho, das oportunidades e da valorização das mulheres ao longo da carreira”, afirmou.
Políticas de incentivo ainda são limitadas
Em Alagoas, apenas 23,6% das empresas possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres. Entre essas iniciativas:
- - 16,9% incentivam a contratação de mulheres negras
- - 12,4% focam em mulheres com deficiência
- - 12,1% contemplam mulheres LGBTQIAP+
- - 4,2% são voltadas a vítimas de violência doméstica
Impacto econômico da desigualdade
O relatório também aponta que a equiparação salarial poderia gerar impacto significativo na economia. Para igualar os rendimentos das mulheres à sua participação no mercado, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões por ano na massa salarial feminina.
Para a ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, o estudo é fundamental para orientar políticas públicas. “As mulheres negras ainda recebem os piores salários, e isso precisa mudar”, destacou.
Avanços ainda insuficientes
Apesar do crescimento na presença feminina e maior participação em cargos de liderança, especialistas reforçam que ainda há um longo caminho para garantir igualdade salarial e oportunidades no mercado de trabalho.
O levantamento reforça que a redução das desigualdades não é apenas uma questão social, mas também econômica, com potencial de impulsionar o crescimento e a distribuição de renda no país.