31 de julho de 2025
ciência

Cientistas identificam organismo congelado há 24 mil anos que voltou à atividade

Animal microscópico foi reanimado em laboratório após permanecer preservado no gelo da Sibéria

Por Redação
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A sobrevivência prolongada está ligada à chamada criptobiose, estado em que o metabolismo do organismo é reduzido ao mínimo. - Foto: Reprodução / internet

Um organismo microscópico que permaneceu congelado por cerca de 24 mil anos foi reativado por cientistas após descongelamento em laboratório. O achado foi descrito em estudo publicado na revista científica Current Biology e envolve um rotífero bdeloide, conhecido como “animal de roda”, comum em ambientes de água doce.

O espécime foi encontrado em amostras de solo coletadas na região da Sibéria, próximo ao rio Alazeya, a cerca de 3,5 metros de profundidade. Após o descongelamento controlado, o organismo retomou rapidamente funções vitais, como alimentação e locomoção, além de iniciar reprodução assexuada — característica típica da espécie.

A análise por radiocarbono de materiais vegetais associados ao solo indicou que o organismo data do Pleistoceno Tardio, período em que mamutes ainda habitavam a Terra. O local faz parte da formação Yedoma, um tipo de permafrost — solo permanentemente congelado — que atuou como uma espécie de cápsula natural de preservação ao longo de milênios.

Segundo os pesquisadores, a sobrevivência prolongada está ligada à chamada criptobiose, estado em que o metabolismo do organismo é reduzido ao mínimo, permitindo resistência a condições extremas, como frio intenso, desidratação e ausência de oxigênio.

Até então, havia registros de rotíferos capazes de sobreviver congelados por até uma década. O novo estudo amplia esse limite para dezenas de milhares de anos, sendo considerado o caso mais longo já documentado de sobrevivência de um animal multicelular em estado de congelamento.

Apesar do avanço, os cientistas destacam que a técnica ainda não pode ser aplicada a organismos mais complexos. A possibilidade de congelar e reanimar mamíferos, por exemplo, segue distante da realidade científica atual.