31 de julho de 2025
POLÍCIA

Operação da PF investiga esquema bilionário de corrupção no Porto do Rio e afasta servidores da Receita

Fraudes podem chegar a R$ 86 bilhões; auditores, analistas e despachantes são alvo de investigação por contrabando e lavagem de dinheiro

Por Redação
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Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Vitória (ES) - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (28), a Operação Mare Liberum para investigar um esquema bilionário de corrupção, contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro. A ação ocorre com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Corregedoria da Receita Federal.

Segundo as investigações, o esquema pode ter causado um prejuízo estimado em R$ 86,6 bilhões entre julho de 2021 e março de 2026, envolvendo a liberação irregular de mercadorias importadas com indícios de fraude.

Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A Justiça também determinou o afastamento de 25 servidores públicos, sendo 17 auditores fiscais e oito analistas tributários, além de impor bloqueio de bens e restrições a atividades profissionais de nove despachantes aduaneiros.

De acordo com a Receita Federal, cerca de 17 mil Declarações de Importação apresentam indícios de irregularidades. As investigações apontam que cargas com inconsistências graves entre os produtos declarados e os efetivamente importados eram liberadas sem a devida fiscalização.

Ainda segundo a PF, o grupo atuava de forma estruturada, envolvendo servidores públicos, despachantes e empresários. A atuação incluía a liberação de mercadorias classificadas em canais de alto risco — como o vermelho e o cinza — sem o cumprimento das exigências legais.

As apurações indicam que o pagamento de propinas era recorrente e organizado, com valores que podem chegar a dezenas de milhões de reais ao longo do período investigado. Uma das frentes do esquema também envolvia o setor de óleo e gás.

A investigação teve início em fevereiro de 2022, a partir de análises internas da Corregedoria da Receita Federal, que identificaram movimentações suspeitas no processo de importação.

Os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.

A operação contou ainda com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF.