Caso Cláudia Pollyanne: donos de clínica e tia da vítima viram réus por morte e tortura
Investigação aponta tortura, cárcere privado e uso de medicamentos sem prescrição
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A Justiça de Alagoas aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus três investigados pela morte de Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, que estava internada em uma clínica de reabilitação. A decisão ocorre oito meses após o crime.
Cláudia trabalhava como esteticista e buscou tratamento por dependência de álcool. A internação ocorreu em uma unidade que se apresentava como comunidade terapêutica. Registros feitos durante o período mostram mudança em sua condição ao longo do tempo de permanência no local.
De acordo com o promotor de justiça Adriano Jorge Barros Lima, há indícios de que a vítima foi submetida a uso de substâncias e a práticas de tortura e maus-tratos durante a internação.
Cláudia morreu em 9 de agosto do ano passado. Segundo a investigação, ela foi vítima de tortura e cárcere privado. Laudo do Instituto Médico Legal registrou a causa da morte como insuficiência respiratória aguda e apontou múltiplas lesões externas, com indícios de episódios de violência em momentos distintos. Também foram identificados sinais de traumatismo cranioencefálico.
Entre os réus estão Maurício Anchieta de Souza, apontado como responsável pela clínica, Jéssica da Conceição Vilela e Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima.
Conforme a denúncia do Ministério Público, a internação teve início de forma voluntária e deveria durar oito meses. O documento aponta que a tia da vítima custeou a permanência e manteve a internação sem comunicação às autoridades e sem autorização médica, em desacordo com a legislação.
Após a morte e relatos de pessoas próximas, a investigação identificou que outros internos também teriam sido submetidos a medicação sem prescrição, agressões e violência. As autoridades apontaram ainda que a unidade funcionava sem autorização.