31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Vídeo mostra PMs monitorando empresário antes de execução na Pavuna; caso é investigado

Imagens de câmeras corporais contradizem versão inicial e apontam possível emboscada

Por Redação
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Imagens de câmeras corporais mostram PM monitorando o empresário morto na Zona Norte do Rio. - Foto: Reprodução/TV Globo

Imagens exclusivas de câmeras corporais obtidas pelo Fantástico mostram policiais militares monitorando o empresário Daniel Patrício Santos Oliveira antes de ele ser morto a tiros na Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Os vídeos registram o momento em que um dos agentes avança em direção à caminhonete da vítima e dispara dezenas de tiros de fuzil. O crime ocorreu na madrugada do dia 22 e, segundo a investigação, não havia blitz, bloqueio ou ordem de parada no local.

Imagens contradizem versão policial

Nas gravações, um policial avisa: “Tá descendo o Russo agora!”, pouco antes da chegada do veículo. Em seguida, o empresário entra na rua e é atingido pelos disparos.

Após o ataque, sobreviventes que estavam no carro aparecem em desespero. Um deles questiona: “Pelo amor de Deus, o que a gente fez?”. Outro relata que Daniel foi atingido no rosto.

Apesar disso, o policial responsável pelos tiros apresentou uma versão diferente, alegando que o carro teria avançado contra a equipe durante uma suposta abordagem — algo que não aparece nas imagens.

Orientação para “montar” versão oficial

As câmeras também flagraram o momento em que o agente orienta como o caso deveria ser registrado. Ele menciona termos como “averiguação de pessoa e veículo”, “troca de tiros” e “legítima defesa”, repetindo essa narrativa por telefone e posteriormente na delegacia.

Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, os vídeos indicam que os agentes monitoravam a vítima desde 1h53, e os disparos ocorreram às 3h06.

Durante esse período, os policiais receberam informações de um olheiro e aguardaram a passagem do empresário, o que levanta a hipótese de uma emboscada.

Ação sem protocolo e investigação em andamento

De acordo com a Corregedoria, a ação não seguiu nenhum procedimento formal. Um dos policiais chegou a demonstrar impaciência durante a espera e comentou sobre a dificuldade da operação.

Daniel tinha 29 anos, era casado, pai de uma criança e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu.

A viúva cobrou justiça: “Espero que a verdade apareça e que não seja escondida”, disse.

Os dois policiais envolvidos foram presos no mesmo dia por homicídio doloso. O caso é investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, enquanto o governo estadual informou que irá indenizar a família.