31 de julho de 2025
SERTÃO DE ALAGOAS

Justiça afasta tortura e manda soltar jovem preso suspeito de manter namorada em ‘casinha de cachorro’

Após audiência de custódia, Justiça acolhe manifestação do MP e da Defensoria e concede liberdade a jovem; caso envolve divergência entre versão da polícia e relato da adolescente

Por Redação
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Justiça afasta tortura e manda soltar jovem preso suspeito de manter namorada em ‘casinha de cachorro’ - Foto: Ascom PC/AL

Após manifestação do Ministério Público de Alagoas, a Justiça decidiu conceder liberdade ao jovem de 20 anos suspeito de manter a namorada, uma adolescente de 16 anos, em situação de cárcere privado em Santana do Ipanema, no Sertão do estado. Ele havia sido preso em flagrante e passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (24).

Na análise do caso, o MP destacou que a própria adolescente negou ter sofrido tortura, agressões ou restrição de liberdade. Ela também afirmou manter relacionamento amoroso com o suspeito e declarou que os dois, em alguns momentos, dormiam juntos no mesmo espaço.

A Defensoria Pública também se posicionou a favor da soltura. Com base nas manifestações, a Justiça concedeu liberdade ao investigado, impondo medidas cautelares e determinando encaminhamento da situação para acompanhamento social e psicológico pelo CRAS e pelo CAPS, diante de indícios de vulnerabilidade.

Relembre o caso

De acordo com a Polícia Civil, o homem foi preso na quinta-feira (23) após a adolescente ser localizada em um imóvel nos fundos da residência, em uma estrutura descrita pelos agentes como semelhante a uma “casinha de cachorro”. O local apresentava condições consideradas precárias, com sujeira e forte odor.

Ainda segundo a polícia, a jovem estaria sem acesso regular à rua, com alimentação irregular e fora do ambiente escolar. O suspeito foi levado ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Santana do Ipanema logo após a prisão.

Versão da adolescente

Depois da repercussão do caso, a adolescente apareceu em vídeo nas redes sociais e negou as acusações. Ela afirmou que não foi vítima de tortura e contestou a versão apresentada pela polícia e por órgãos de proteção.

Segundo ela, o casal estaria junto por vontade própria e o espaço seria apenas onde conviviam. “Não tem prova. A gente quer prova. Me levaram pro hospital pra fazer corpo de delito e não deu em nada”, disse.