Após 129 dias da operação da PF, Dantas segue mantendo secretário de Saúde de Alagoas no cargo
Operação Estágio IV apura suposto esquema de R$ 100 milhões na Sesau; decisão judicial permitiu retorno de Gustavo Pontes
Publicado em
Passados 129 dias da deflagração da Operação Estágio IV, da Polícia Federal, o secretário de Saúde de Alagoas, Gustavo Pontes, segue mantido por Paulo Dantas (MDB) no comando da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas após decisão judicial que suspendeu seu afastamento. A operação investiga um suposto esquema de desvio de aproximadamente R$ 100 milhões em contratos da saúde pública estadual.
A ação foi deflagrada em dezembro de 2025 com autorização do Tribunal Regional Federal da 5ª Região e mobilizou mais de 170 policiais e auditores, com cumprimento de mandados em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal.
Entenda a operação
Segundo as investigações, o foco é o desvio de recursos por meio de contratos emergenciais firmados pela Sesau entre 2023 e 2025, além de suspeitas de superfaturamento em ressarcimentos do SUS, com pagamentos por procedimentos que não teriam sido realizados.
A Polícia Federal também apurou um esquema de lavagem de dinheiro, com uso de transferências bancárias, saques em espécie e aquisição de bens de alto valor, incluindo imóveis e uma pousada no litoral norte de Alagoas.
Durante a operação, foram apreendidos valores em dinheiro, moedas estrangeiras, joias e armas de fogo, reforçando as suspeitas de enriquecimento ilícito.
Afastamento e retorno ao cargo
Na época da operação, Gustavo Pontes foi afastado do cargo por 180 dias por decisão judicial. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça suspendeu o afastamento, permitindo seu retorno à função.
A decisão considerou, em análise preliminar, possíveis irregularidades no início das investigações, que teriam sido conduzidas sem autorização judicial adequada durante parte do processo.
Investigação muda de instância
Posteriormente, o caso deixou a esfera federal e passou a ser conduzido pelo Tribunal de Justiça de Alagoas, após entendimento de que os recursos investigados são de origem estadual.
Mesmo com a mudança, permanecem válidas medidas cautelares como bloqueio de bens e quebras de sigilo, enquanto o caso segue em apuração.
A permanência do secretário no cargo, mesmo após a operação, tem gerado repercussão nos bastidores políticos e administrativos do estado. O governo de Paulo Dantas se torna suspeito e com isso, pode ser acusado de conivência caso os desfalques sejam provados na Justiça.