31 de julho de 2025
ECONOMIA

Correios acumulam prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do ano anterior

Resultado negativo é pressionado por ações judiciais e queda de receita, em meio a mudanças no setor postal

Por Redação
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Correios acumulam prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do ano anterior - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais de três vezes superior ao resultado negativo de R$ 2,6 bilhões em 2024. Segundo a estatal, o desempenho foi impactado principalmente pelo aumento de despesas com processos judiciais e pelos custos operacionais elevados.

De acordo com o balanço, a maior parte do rombo está ligada a provisões judiciais, que somaram R$ 6,4 bilhões no ano passado — alta de mais de 55% em relação ao ano anterior. O passivo é formado, sobretudo, por ações trabalhistas envolvendo adicionais reivindicados por funcionários.

A receita bruta da empresa também recuou. Em 2025, ficou em R$ 17,3 bilhões, uma queda de 11,35% na comparação com 2024, agravando o cenário financeiro da estatal.

Para enfrentar o déficit, os Correios recorreram a empréstimos junto a bancos públicos e privados, totalizando R$ 12 bilhões em captação.

Ciclo de prejuízos

A empresa acumula resultados negativos desde o fim de 2022, somando 14 trimestres consecutivos de perdas. Segundo o presidente Emmanoel Schmidt Rondon, há um efeito em cadeia que dificulta a recuperação.

“A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento ao fornecedor, isso afeta a operação”, afirmou. Ele também destacou que a estrutura de custos é rígida, o que limita a capacidade de ajuste rápido diante da queda de receitas.

Mudança no setor

O cenário também reflete transformações no mercado. A estatal vem perdendo espaço com a redução do envio de cartas — fenômeno que a direção chama de “desmaterialização” — e com o avanço de empresas privadas de logística, impulsionadas pelo comércio eletrônico.

Como parte das medidas de ajuste, a empresa abriu programas de demissão voluntária e reduziu gastos operacionais, incluindo custos com imóveis e manutenção de agências. Mais de 3 mil empregados aderiram ao plano mais recente.

A expectativa da direção é reverter o quadro e voltar ao lucro a partir de 2027. A possibilidade de privatização, segundo a presidência da estatal, não está em discussão no momento.