31 de julho de 2025
MERCADO FINANCEIRO

Saques bilionários, falhas de transparência e baixo retorno pressionam fundos de crédito privado

Investidores retiram R$ 13,3 bilhões em dois meses, enquanto maioria dos fundos rende abaixo do CDI e parte do mercado deixa de divulgar dados essenciais

Por Redação
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Notas de dinheiro - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Os fundos de crédito privado atravessam um início de 2026 turbulento, marcado por retirada em massa de recursos, desempenho fraco e problemas de transparência. Entre março e abril, investidores sacaram R$ 13,3 bilhões desses produtos, segundo a Comissão de Valores Mobiliários, em meio a retornos abaixo do esperado e falhas na divulgação de informações ao mercado.

Os dados de desempenho reforçam o cenário negativo. Levantamento do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas, conduzido pelo professor Ricardo Rochman com base em informações da Economatica, analisou 849 fundos voltados ao varejo no primeiro trimestre deste ano. O resultado mostra que apenas 18% superaram o CDI — referência básica de rentabilidade para esse tipo de investimento.

Na outra ponta, 20 fundos tiveram desempenho considerado crítico, com retorno de até 28,4% do CDI, incluindo pelo menos um caso de resultado negativo. Outros 59 ficaram entre 28,4% e 50% do indicador, enquanto 112 não passaram de 70%. A maior parte, 505 fundos, rendeu entre 70% e 99% do CDI, ainda abaixo do patamar considerado ideal pelo mercado.

Em geral, fundos de crédito privado são vistos como alternativas de maior risco em relação a aplicações conservadoras e, por isso, espera-se que entreguem ganhos superiores ao CDI — o que não vem ocorrendo de forma consistente neste ano.

Além do desempenho, outro fator que agrava a crise é a falta de transparência, especialmente nos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Levantamento da Uqbar aponta que 76 fundos não haviam enviado, até 10 de abril, dados obrigatórios referentes a fevereiro, como patrimônio, volume de crédito e inadimplência. O prazo regulatório havia se encerrado em 15 de março.

Considerando os valores desses fundos, a ausência de informações atinge cerca de R$ 37 bilhões em patrimônio, ampliando a incerteza para investidores em um momento já marcado por resgates elevados e rentabilidade pressionada.