31 de julho de 2025
Sentença histórica

Chacina do DF: Justiça descreve crime como “extermínio familiar”

Réus recebem penas que somadas chegam a 1.258 anos de prisão por assassinato de 10 pessoas

Por RAYANY FRANÇA
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MAIOR CHACINA DO DF - Foto: Reprodução/Carla Sena / Arte Metrópoles

Uma sentença de 51 páginas proferida pelo juiz Taciano Vogado classificou a chamada Chacina do DF como um dos crimes mais bárbaros já registrados na capital federal. Na decisão, o magistrado afirmou que o caso não se tratou de homicídios isolados, mas do “extermínio sistemático de núcleos familiares inteiros”, resultando na morte de 10 pessoas, incluindo três crianças com idades entre 6 e 7 anos.

As vítimas foram identificadas como Marcos Antônio Lopes de Oliveira; Renata Juliene Belchior; Gabriela Belchior de Oliveira; Thiago Gabriel Belchior de Oliveira; Elizamar da Silva; além das crianças Rafael Belchior (6 anos), Rafaela Belchior (6 anos) e Gabriel Belchior (7 anos); além de Cláudia da Rocha Marques e Ana Beatriz Marques de Oliveira.

Ao fundamentar as condenações, o juiz descreveu a atuação dos réus como marcada por extrema frieza e ausência de limites morais. Segundo a sentença, as vítimas mais jovens foram assassinadas com “frieza extrema”, sendo inicialmente estranguladas e, posteriormente, queimadas dentro de um veículo. Para o magistrado, os acusados agiram com plena consciência e adesão aos atos, o que reforça a gravidade dos crimes.

Foram condenados Gideon Batista de Menezes, apontado como mentor do crime; Horácio Carlos Ferreira Barbosa, considerado o segundo na hierarquia do grupo; Carlomam dos Santos Nogueira, que teria participação direta nas execuções; e Fabrício Canhedo Silva. As penas somadas ultrapassam 1.200 anos de prisão, sendo a maior delas atribuída a Gideon, com mais de 397 anos de reclusão. Um quinto réu, Carlos Henrique Alves da Silva, foi condenado apenas por sequestro e já deixou a prisão após cumprir a pena.

O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Planaltina e durou seis dias, tornando-se o segundo mais longo da história do Distrito Federal, atrás apenas do caso conhecido como Crime da 113 Sul. A decisão também destacou o impacto psicológico causado às famílias das vítimas, que, em muitos casos, não puderam sequer realizar sepultamentos dignos, devido à destruição dos corpos.

As investigações apontaram que os crimes ocorreram entre o fim de 2022 e o início de 2023, motivados por uma disputa envolvendo um terreno avaliado em cerca de R$ 2 milhões, localizado no Itapoã. O plano do grupo era eliminar todos os membros da família para tomar posse do imóvel que, posteriormente, descobriu-se nem pertencer às vítimas.

As vítimas foram atraídas para emboscadas sucessivas e assassinadas ao longo de dias, em diferentes locais do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Para o juiz, a sequência dos crimes demonstra planejamento detalhado e uma escalada de violência destinada a eliminar qualquer possibilidade de testemunhas.

Na sentença, Taciano Vogado ressaltou que o caso ultrapassa a dimensão penal e deixa marcas profundas nas famílias atingidas. “Não se pode deixar de considerar o trauma causado aos familiares, que sequer tiveram a chance de sepultar dignamente seus parentes”, registrou.