PT articula com líderes religiosos para avançar proposta contra bets
Projeto que proíbe apostas online enfrenta resistência no Congresso, mas busca apoio de bancadas religiosas
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O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), iniciou uma articulação com lideranças religiosas para tentar viabilizar um projeto que propõe a proibição das apostas online no Brasil. A estratégia envolve diálogo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e representantes de segmentos evangélicos, com o objetivo de ampliar o apoio político à proposta dentro do Congresso Nacional.
O tema é considerado sensível e de difícil avanço, especialmente em um ano eleitoral. Ainda assim, parlamentares avaliam que as bancadas religiosas podem ter papel decisivo no debate, já que tradicionalmente adotam posições contrárias a jogos de azar, o que pode, inclusive, provocar divisões em diferentes espectros políticos.
Ao defender a proposta, Uczai argumenta que as apostas online têm se tornado um fator relevante de endividamento das famílias brasileiras, sobretudo entre as mais vulneráveis. O parlamentar cita estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, que aponta que o varejo deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões em 2024 devido ao redirecionamento de gastos para plataformas de apostas. O levantamento também indica que os brasileiros destinaram aproximadamente R$ 240 bilhões às bets no mesmo período, associando o fenômeno a vício, endividamento e impactos sociais.
A discussão também ganhou espaço no Palácio do Planalto e tem sido acompanhada de perto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em declarações públicas, Lula defendeu maior rigor na regulamentação do setor e criticou o avanço das apostas no cotidiano das famílias brasileiras. Segundo ele, a facilidade de acesso às plataformas transformou o cenário, levando os jogos de azar para dentro das casas e ampliando seus efeitos sobre a população.
Apesar da pressão política e social, o futuro da proposta ainda é incerto e deve enfrentar resistência no Congresso, onde diferentes interesses econômicos e visões sobre regulação tendem a influenciar o andamento do debate.