31 de julho de 2025
Aposta sob pressão

PT articula com líderes religiosos para avançar proposta contra bets

Projeto que proíbe apostas online enfrenta resistência no Congresso, mas busca apoio de bancadas religiosas

Por RAYANY FRANÇA
Publicado em
PEDRO UCZAI - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), iniciou uma articulação com lideranças religiosas para tentar viabilizar um projeto que propõe a proibição das apostas online no Brasil. A estratégia envolve diálogo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e representantes de segmentos evangélicos, com o objetivo de ampliar o apoio político à proposta dentro do Congresso Nacional.

O tema é considerado sensível e de difícil avanço, especialmente em um ano eleitoral. Ainda assim, parlamentares avaliam que as bancadas religiosas podem ter papel decisivo no debate, já que tradicionalmente adotam posições contrárias a jogos de azar, o que pode, inclusive, provocar divisões em diferentes espectros políticos.

Ao defender a proposta, Uczai argumenta que as apostas online têm se tornado um fator relevante de endividamento das famílias brasileiras, sobretudo entre as mais vulneráveis. O parlamentar cita estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, que aponta que o varejo deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões em 2024 devido ao redirecionamento de gastos para plataformas de apostas. O levantamento também indica que os brasileiros destinaram aproximadamente R$ 240 bilhões às bets no mesmo período, associando o fenômeno a vício, endividamento e impactos sociais.

A discussão também ganhou espaço no Palácio do Planalto e tem sido acompanhada de perto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em declarações públicas, Lula defendeu maior rigor na regulamentação do setor e criticou o avanço das apostas no cotidiano das famílias brasileiras. Segundo ele, a facilidade de acesso às plataformas transformou o cenário, levando os jogos de azar para dentro das casas e ampliando seus efeitos sobre a população.

Apesar da pressão política e social, o futuro da proposta ainda é incerto e deve enfrentar resistência no Congresso, onde diferentes interesses econômicos e visões sobre regulação tendem a influenciar o andamento do debate.