31 de julho de 2025
Pressão no Congresso

Revogação da “taxa das blusinhas” enfrenta resistência no Congresso

Parlamentares ligados ao setor produtivo alertam para impacto na indústria e cobram compensações do governo

Por RAYANY FRANÇA
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FACHADA DO CONGRESSO NACIONAL - Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

A possível revogação da chamada “taxa das blusinhas” já enfrenta resistência no Congresso Nacional, especialmente entre parlamentares ligados ao setor produtivo. A medida, em discussão no governo federal, ainda não tem posição fechada dentro do Palácio do Planalto, mas ganhou força após sondagens indicarem impacto negativo na popularidade da gestão.

Criada em 2024, a taxação sobre compras internacionais de até US$ 50 foi defendida como uma forma de proteger a indústria nacional, especialmente setores como o têxtil, eletrônico e de brinquedos, que enfrentavam dificuldades para competir com produtos importados sujeitos a menor carga tributária. Desde então, o tema se tornou sensível tanto do ponto de vista econômico quanto político.

O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, critica a possibilidade de revogação e afirma que a medida seria prejudicial à indústria nacional. Segundo ele, permitir importações sem tributação agravaria o cenário para empresas brasileiras, que já lidam com juros elevados e consumo pressionado.

Já o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), coordenador da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, sinaliza abertura ao debate, mas condiciona qualquer mudança à adoção de medidas compensatórias. Parlamentares defendem que, caso a taxação seja revista, o governo também reduza impostos sobre produtos nacionais para garantir equilíbrio competitivo.

Além do impacto sobre o setor produtivo, o tema também envolve a arrecadação federal. Dados da Receita Federal indicam que o imposto sobre encomendas internacionais gerou cerca de R$ 5 bilhões no último ano. Congressistas ressaltam ainda que a medida contribuiu para a retomada de compras no varejo nacional, ampliando a arrecadação indireta e fortalecendo empresas brasileiras.

Em meio ao cenário eleitoral, a discussão deve ganhar ainda mais intensidade, dividindo opiniões entre o apelo popular da redução de impostos e a preocupação com os efeitos sobre a economia e as contas públicas.