PCC se consolida como facção global e amplia rotas do tráfico internacional de cocaína
Relatório aponta estrutura sofisticada, alianças com máfias europeias e uso de tecnologia para expandir atuação fora do Brasil
Publicado em
Uma reportagem do The Wall Street Journal aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se consolidou como uma organização criminosa de alcance global, com atuação estratégica no tráfico internacional de cocaína e presença em diferentes continentes.
Segundo a publicação, o grupo, que surgiu no sistema prisional paulista na década de 1990, evoluiu para uma estrutura comparável à de uma corporação, com logística sofisticada e divisão interna de funções. A facção teria ampliado sua influência sobre rotas internacionais, com impacto direto no envio de drogas para a Europa e os Estados Unidos.
Um dos principais eixos dessa operação é o controle logístico. O Porto de Santos é citado como principal ponto de saída da droga, com uso de técnicas como o “rip-on/rip-off”, que consiste na inserção de cocaína em contêineres de cargas legais sem o conhecimento dos exportadores. A estratégia também inclui a diversificação de embarques por portos com menor fiscalização, inclusive no Nordeste brasileiro.
A reportagem destaca ainda a aliança com a máfia italiana 'Ndrangheta, considerada uma das mais poderosas da Europa. Nesse modelo, o PCC atua como fornecedor em larga escala, enquanto o grupo europeu é responsável pela distribuição no continente, potencializando os lucros do tráfico.
Outra rota relevante envolve países da África Ocidental, como Guiné-Bissau e Cabo Verde, utilizados como pontos intermediários para armazenamento e redistribuição da droga. Já Portugal aparece como porta de entrada estratégica na Europa, além de base para operações logísticas e lavagem de dinheiro.
Internamente, a facção opera de forma descentralizada, por meio de núcleos conhecidos como “sintonias”, responsáveis por áreas como expansão territorial, coordenação de ações e gestão financeira. O uso de tecnologias como criptomoedas também tem sido adotado para dificultar o rastreamento das movimentações ilegais.
O nível de profissionalização inclui ainda a contratação de especialistas, como mergulhadores para fixar cargas em navios e hackers para invadir sistemas portuários. O modelo de atuação, descrito como semelhante a uma “franquia”, permite autonomia operacional aos integrantes, o que facilita a expansão internacional.
De acordo com a reportagem, a atuação do grupo já impacta países da América do Sul, como Paraguai e Equador, onde há aumento da violência associado à disputa por rotas do tráfico. Autoridades enfrentam dificuldades para conter a organização, que mantém operações ativas mesmo com lideranças presas em unidades de segurança máxima.