31 de julho de 2025
fiscalização

Canetas emagrecedoras viram alvo da Anvisa com novas regras para manipulação

Agência proibiu produtos como Gluconex e Tirzedral; popularização de medicamentos para fins estéticos impulsiona mercado paralelo e acende alerta para riscos à saúde

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou, neste mês de abril, o cerco contra medicamentos emagrecedores irregulares no Brasil, com foco especial em produtos manipulados e itens comercializados sem autorização sanitária. O movimento ocorre em meio à explosão do uso das chamadas canetas emagrecedoras e ao avanço de um mercado paralelo que levanta sérias preocupações sobre segurança e qualidade. A agência também informou que anunciará, na próxima Reunião Ordinária Pública marcada para o dia 29 de abril, uma nova instrução normativa para regulamentar a manipulação dessas substâncias, estabelecendo regras mais claras para controle de insumos, qualificação de fornecedores, padrões de produção, armazenamento e transporte.

No último dia 14 de abril de 2026, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização, importação e uso de dois produtos divulgados na internet: Gluconex e Tirzedral. Segundo a agência, os itens são vendidos como medicamentos injetáveis da classe dos agonistas do receptor GLP-1 — mesma categoria de fármacos consagrados para diabetes e obesidade — mas não possuem registro, notificação ou autorização no Brasil. Sem esse aval, não há qualquer garantia de composição, eficácia ou segurança para o consumidor. A medida faz parte de uma ofensiva mais ampla contra produtos irregulares que têm sido ofertados principalmente em redes sociais e canais informais de venda.

A popularização desses medicamentos, originalmente indicados para doenças metabólicas, impulsionou o uso com finalidade estética, e, com isso, aumentaram também as irregularidades, incluindo a entrada de produtos sem controle sanitário vindos do exterior — inclusive de países vizinhos, como o Paraguai. A Anvisa alerta que a falta de rastreabilidade e de controle de qualidade nesses casos eleva o risco de efeitos adversos, especialmente por se tratarem, na maioria das vezes, de medicamentos injetáveis, que exigem cuidados rigorosos de esterilidade. Outro ponto crítico envolve a produção em farmácias de manipulação. A agência avalia que, em alguns casos, esse tipo de medicamento vem sendo produzido fora do caráter individualizado, o que foge da finalidade original desse serviço e pode comprometer a segurança do paciente.

A diretoria da Anvisa deve discutir ainda em abril uma proposta de instrução normativa voltada especificamente à manipulação desses medicamentos. A expectativa é que o texto traga exigências mais claras e rigorosas sobre controle de insumos, qualificação de fornecedores, padrões de produção, armazenamento e transporte. A agência tem reforçado que o avanço descontrolado desse mercado pode expor pacientes a riscos importantes, como uso de substâncias sem comprovação de qualidade, falhas de esterilidade e ausência de acompanhamento médico. Mesmo os medicamentos aprovados exigem prescrição e monitoramento, e o uso fora das indicações amplia as incertezas sobre segurança.

As medidas indicam uma mudança mais rígida na atuação regulatória da Anvisa, com foco em conter irregularidades sem comprometer o acesso a tratamentos seguros. O tema segue em debate e deve continuar no centro das decisões sanitárias nas próximas semanas, com impacto direto no mercado e na rotina de pacientes que recorrem a essas substâncias para emagrecer. Até lá, a recomendação da agência permanece clara: o uso de medicamentos para emagrecimento deve ocorrer apenas com orientação médica e com garantia de origem regular, evitando produtos de procedência duvidosa ou comercializados em canais informais.